direito de sair do partido - Mundo - iG" /

Lula nega crise no PT e diz que todos têm direito de sair do partido

Brasília, 20 ago (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou hoje que o PT esteja em crise e afirmou, em referência à saída de dois senadores, que todo militante ou parlamentar que quiser deixar o partido pode fazer isso, porque é um direito.

EFE |

O presidente respondeu desta forma a perguntas de jornalistas sobre o impacto da saída do PT da ex-ministra do Meio Ambiente e senadora Marina Silva, que na quarta-feira anunciou sua decisão de abandonar a legenda na qual militou durante quase 30 anos.

Além de deixar o partido, a senadora estuda a possibilidade de se filiar ao Partido Verde (PV), que sugeriu lançá-la como candidata à Presidência nas eleições de 2010.

Se aceitar, Marina Silva provavelmente enfrentaria, entre outros, a atual ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, a quem Lula sugeriu como candidata do PT e que foi uma das mais ferrenhas adversárias da ambientalista dentro do Governo.

O presidente afirmou que a saída de Marina Silva do partido fundado pelo próprio Lula em 1980 não abre nenhuma "crise no PT" e lembrou que a senadora esteve em seu gabinete ministerial "até quando quis".

Marina Silva renunciou ao Ministério do Meio Ambiente no ano passado e justificou sua decisão pelas "crescentes pressões" que enfrentava no Governo para "levar à frente a agenda ambiental".

Segundo Lula, "se uma pessoa quer sair de um partido político porque não está confortável, pode fazê-lo, porque é um direito".

Ele comentou também o anúncio do senador Flavio Arns, que manifestou sua intenção de deixar o PT depois que o partido impediu a realização de uma investigação por suposta corrupção contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

"Flavio é um companheiro que tem seus valores, mas sempre foi meio complicado no PT", comentou o presidente.

Além da iminente saída de Arns, o líder da bancada do partido no Senado, Aloizio Mercadante, decidiu renunciar ao cargo, mas não falou nada sobre deixar a legenda, também pro causa da pressão do Governo em favor de Sarney.

Mercadante afirmou em nota oficial que apresentaria a renúncia à chefia da bancada do PT durante um discurso que faria hoje mesmo no plenário do Senado.

Porém, depois disse que adiou o pronunciamento, alegando que recebeu um telefonema do ministro de Relações Institucionais, José Múcio (PTB-PE), que comunicou que Lula quer conversar com ele "pessoalmente" antes de formalizar sua saída.

Mercadante não disse quando conversará com o presidente, mas Lula estava hoje no Rio Grande do Norte e voltaria a Brasília só à noite.

Na véspera, antes do começo da votação que livrou Sarney de ser processado por corrupção, Mercadante disse que o presidente do PT, Ricardo Berzoini, e o Governo tinham pedido aos senadores do partido para votar contra as acusações.

Ele lembrou que essa não era sua "posição pessoal" e disse que tinha chegado a pedir a saída de Sarney da Presidência do Senado, assim como muitos outros integrantes do PT.

Mercadante, porem, explicou que foi obrigado a "considerar a posição do Governo" de Lula sobre Sarney, que era acusado de tráfico de influência e fraude fiscal, entre outros crimes. EFE ed/db

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG