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Lula não quer que crise pegue Brasil de calças curtas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira em Moçambique que o governo está trabalhando para evitar que o país seja pego de calças curtas com a crise financeira dos mercados mundiais.

BBC Brasil |

"Nós estamos olhando (a crise) com lupa. Eu nunca conversei tanto com o ministro da Fazenda e com o Banco Central como eu tenho conversado nos últimos 30 dias. Conversado porque eu não quero que o Brasil seja pego de calças curtas, porque eu não quero jogar fora o patrimônio de responsabilidade que nós acumulamos nos últimos anos", disse Lula em uma reunião de empresários brasileiros e moçambicanos.

Para o presidente, os países ricos parecem estar "definitivamente" caminhando para uma recessão.

Lula criticou os países ricos que, segundo ele, "nas décadas de 80 e 90 passaram todo tempo nos ensinando como administrar os nossos países, e não estavam sequer administrando corretamente os seus países".

"Cadê a solidez da economia americana? Cadê o infalível Banco Central americano? O infalível FMI? O infalível Banco Mundial? O infalível Banco Central Europeu? Ou seja, será que eles não sabiam que o seu sistema financeiro estava envolvido na maior agiotagem financeira que o mundo conheceu? Será que eles não sabiam?"

Apesar das críticas aos países ricos, ele fez elogios ao pacote de medidas contra a crise lançado pelo primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Gordon Brown.

"Eu fico feliz quando eu vejo um homem que eu respeito profundamente, um homem sério, como o Gordon Brown, dizer 'eu não vou dar dinheiro para banco, eu vou comprar as ações do banco, eu vou ser sócio desse banco'. Eu acho isso extraordinário."
Lula disse que, no momento de crise, "a periferia da economia mundial é que está salvando o centro nervoso do capitalismo".

"O Brasil é um dos poucos países do mundo em que nós ainda não estamos querendo ficar sócios dos bancos", afirmou. O presidente voltou a prometer que nenhuma obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) será interrompida devido à crise.

O mercado financeiro brasileiro voltou a ter fortes oscilações nesta quinta-feira devido à crise financeira mundial. O índice Bovespa fechou em queda de 1,06%.

Em Moçambique, Lula disse a jornalistas que "não se pode ficar preocupado se a bolsa sobe um dia e cai no outro".

"Ela (a bolsa) vai encontrar o equilíbrio dela na medida em que o mundo desenvolvido der a tranqüilidade necessária que a economia precisa."

Mentalidade colonizada

No encontro com empresários dos dois países, o presidente também criticou "a elite brasileira" por não diversificar os seus mercados, limitando as opções de compra e venda aos mercados ricos, que estão sendo mais fortemente afetados pela crise atual.

Segundo Lula, este seria o momento de se investir na África e em outras economias emergentes que estão crescendo.

"Embora a independência tenha sido conquistada no dia 7 de setembro de 1822, a cabeça da elite brasileira ainda está colonizada. Não subordinada mais à coroa portuguesa, mas subordinada à orientação econômica e a interesses eminentemente ligados aos chamados países desenvolvidos, sobretudo os Estados Unidos e a Europa."

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