Lula mantém proposta de asilo, mas diz respeitar leis do Irã

Mais cedo, governo iraniano afirmou que personalidade 'emotiva' do brasileiro motivava oferta de asilar mulher condenada à morte

iG São Paulo |

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira que mantém a proposta de asilar a iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani , condenada à morte por adultério, mas acrescentou que "respeita as leis de cada país".

O comentário foi feito após o porta-voz do Ministério do Exterior iraniano ter dito que Lula tem " personalidade emotiva " e fez a oferta sem "informação suficiente" sobre o caso.

"Eu não formulei um pedido de asilo político. O meu pedido é mais humanitário que político", disse Lula na província argentina de San Juan, onde participou de uma reunião de cúpula do Mercosul. "Eu penso que uma morte por apedrejamento é tão bárbara que declarei que o Brasil receberia essa mulher de braços abertos, se pudessem mandá-la."

"Eu sou cristão, e o que eu disse foi o seguinte: pelo grande respeito que tenho pelo Irã, pela relação de amizade que construímos, e como cristão, penso que só Deus tem o direito de dar a vida e tem o direito de tirá-la", explicou Lula.

O presidente disse que teria "enorme prazer" em dialogar com o governo iraniano sobre o caso, mas disse que, como chefe de Estado, "aprendeu a respeitar as leis de cada país". Lula afirmou, ainda, que ficou "contente" com o fato de o porta-voz do Ministério do Exterior ter percebido sua "sensibilidade". "Sou muito emocional", disse.

Apelo

A oferta brasileira de asilo a Ashtiani foi feita no fim de semana. Lula fez um "apelo" ao presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, para que "permita ao Brasil conceder asilo a esta mulher”, durante um comício em Curitiba.

A proposta brasileira foi apoiada por ativistas que defendem os direitos humanos no Irã, mas foi criticada por setores mais conservadores ligados ao governo do país.

Ashtiani, de 43 anos, está presa no Irã desde maio de 2006, quando um tribunal na Província do Azerbaijão Ocidental a considerou culpada por manter “relações ilícitas” com dois homens após a morte de seu marido. No início do mês, as autoridades iranianas haviam afirmado que ela não seria mais morta por apedrejamento, embora a mulher ainda possa ser sentenciada à morte por enforcamento pelo adultério e por outras acusações que pesam contra ela.

Com Reuters e BBC

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