Lula mantém decisão de não reconhecer resultado em Honduras

Apesar de vários países das Américas afirmarem que vão reconhecer o resultado das eleições em Honduras deste domingo no país, o Brasil vai manter a sua posição.

BBC Brasil |

Na chegada a Portugal na noite deste domingo, onde vai participar da Cúpula Ibero-americana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o governo brasileiro não reconhecerá os resultados do pleito.

"No caso de Honduras, o Brasil não tem porque repensar a questão. É preciso firmar posição sobre as coisas porque isso serve de alerta para outros aventureiros. O dado concreto é que os golpistas não permitiram que o presidente voltasse para coordenar o processo eleitoral, o que é um sinal muito perigoso e muito delicado, porque ainda existem muitos países, na América Central sobretudo, com vulnerabilidade política", disse o presidente.

Segundo o presidente, há outras formas de se atuar contra decisões presidenciais e o golpe não se justifica: "Se os países que podem dar orientações e fazer gestos não fizerem isso, daqui a pouco a gente não sabe onde haverá mais um golpe. Quem não gosta da atitude de um presidente tem o Congresso Nacional, tem a Justiça local para recorrer."

Lula disse que não é porque outros países aceitam o resultado eleitoral que o Brasil deva fazer isso. Ele também afirmou que o Brasil não vai expulsar o presidente deposto Manuel Zelaya da embaixada brasileira em Tegucigalpa, onde se encontra refugiado.

'Não tem graça'

"Até que o governo de Honduras dê garantias de vida para o Zelaya ele vai ficar na embaixada brasileira. Nós não podemos permitir que ele saia sem que haja garantia, sem que haja segurança."

O presidente comparou a situação em Honduras a uma piada: "Não sei se depois da eleição vão querer que ele volte para o poder. É no mínimo uma piada tudo isso, mas faz parte da cultura latino-americana."

Comentando sobre as diversas posições tomadas pelos países latino-americanos sobre as eleições em Honduras - Colômbia e o Peru apoiam a realização das eleições - o presidente considerou a divergência normal: "Eu não vejo divisão. Cada país tem autonomia para tomar sua decisão. Já faz 50 anos que estão tentando construir a União Europeia e um país aprova uma coisa e outro país aprova outra. Ou seja, eles não tratam isso como divisão, mas como consequência normal do exercício da democracia. Cada país vai tomar a posição em função da sua realidade política."

Sobre a posição do governo norte-americano, Lula minimizou o fato de que os dois países não tenham uma posição comum.

"O Obama mandou uma carta, eu respondi a carta na sexta-feira. Obviamente que nós temos discordâncias sobre como foi tratada a questão de Honduras, mas se os chefes de Estado não tiverem nenhuma discordância, não tem graça." 

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