Lula insiste em esforço diplomático para aproximar EUA e Cuba

Brasília, 8 abr (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu hoje, separadamente, o novo ministro das Relações Exteriores cubano, Bruno Rodríguez, e um grupo de parlamentares dos Estados Unidos, em seu esforço para aproximar estes dois países antes da 5ª Cúpula das Américas.

EFE |

Rodríguez passou por Brasília sem dar declarações à imprensa, mas segundo diplomatas disseram à Agência Efe, um dos assuntos tratados no encontro foi o das expectativas despertadas pela cúpula, que na próxima semana reunirá em Trinidad e Tobago todos os países latino-americanos -menos Cuba- e os Estados Unidos.

Será o primeiro encontro entre os líderes da América Latina e o presidente americano, Barack Obama, a quem Lula já lhe disse, durante um encontro em Washington, em março, que Cuba é um "caso sensível" para a região.

Os diplomatas consultados pela Efe disseram que Lula conversou sobre o assunto com Bruno Rodríguez, que recebeu junto com seu ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.

Nenhum dos presentes na reunião fez declarações aos jornalistas, mas funcionários do Governo explicaram que Lula reiterou seu interesse em que as relações entre Estados Unidos e Cuba -e com outros países, em alusão a Venezuela e Bolívia-, sejam discutidas na reunião de Trinidad e Tobago.

Lula "não colocou o assunto em pauta para se oferecer como mediador entre Cuba e Estados Unidos, mas expressará (em Trinidad e Tobago) sua opinião de que as relações entre os dois países têm que se normalizar, sob o respeito mútuo", explicaram porta-vozes do Governo brasileiro.

Após o encontro com o chanceler cubano, Lula recebeu um grupo de parlamentares americanos, integrado por membros dos partidos Democrata e Republicano.

"Os assuntos foram basicamente os mesmos", disseram porta-vozes da Presidência, acrescentando que a única diferença entre as reuniões esteve nos assuntos bilaterais, que foram também tratados em ambas.

No caso de Cuba, as relações estão agora potencializadas pelo interesse do Brasil em participar da exploração de petróleo em águas profundas cubanas.

Com os Estados Unidos, "a agenda bilateral é mais ampla", por sua condição de principal parceiro comercial do Brasil, explicaram os porta-vozes, afirmando ainda que as reuniões ocorreram no mesmo dia por "uma mera casualidade".

A visita de Rodríguez a Brasília foi sua primeira viagem oficial desde que assumiu o Ministério das Relações Exteriores em lugar de Felipe Pérez Roque, que foi exonerado de seu cargo em meio a uma ampla reforma do gabinete realizada pelo presidente cubano, Raúl Castro, em março.

Essas mudanças no Governo cubano foram interpretadas como uma tentativa de Castro de dar a seu gabinete uma cara mais amigável aos Estados Unidos, ao dispensar "radicais", como o próprio Pérez Roque, e substituí-los por políticos considerados mais moderados.

Alguns analistas brasileiros também abordaram o fato de que a primeira visita de Rodríguez como chanceler foi ao Brasil e não à Venezuela, cujo presidente, Hugo Chávez, mantém estreitas relações ideológicas e econômicas com Cuba.

Apesar de seus estreitos laços com Chávez, o presidente cubano, Raúl Castro, não esteve presente na última Cúpula da Alternativa Bolivariana das Américas (Alba), que é promovida pela Venezuela, e se especula que também não vá à próxima, convocada para 16 de abril em Caracas, da mesma forma que a primeira.

Essa reunião da Alba, formada por Venezuela, Bolívia, Cuba, Nicarágua, Dominica e Honduras, se realizará precisamente um dia antes da 5ª Cúpula das Américas em Port of Spain. EFE ed/jp

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