Lula informa Ban Ki-moon sobre ataques contra brasileiros no Suriname

São Paulo, 28 dez (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou hoje o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, sobre os ataques contra a comunidade brasileira no Suriname.

EFE |

Segundo a Agência Brasil, "durante a conversa, Ban Ki-moon foi informado de que a Polícia do Suriname identificou e deteve 22 suspeitos de participação no ataque aos brasileiros".

A conversa telefônica entre Lula e Ban ocorreu depois do relatório apresentado ao presidente pelo secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores (MRE), Antônio Patriota.

Patriota relatou o presidente que, "até o momento, não há registro de mortes" após os ataques cometidos no último dia 24 pela população civil da cidade surinamesa de Albina contra a comunidade estrangeira, que é em sua maioria brasileira.

O secretário-geral do MRE ressaltou que há um "grande diálogo" entre a missão de diplomatas brasileiros, dois deles mobilizados no domingo a partir de Brasília, e o Governo do Suriname.

Em seu relatório, Patriota comunicou a Lula que a Força Aérea Brasileira (FAB) ofereceu aos 81 brasileiros deslocados seu retorno ao Brasil no avião militar que transferiu os dois diplomatas, mas só cinco pessoas aceitaram a oferta.

Os outros 76 decidiram permanecer em Paramaribo, a capital surinamesa, onde estão hospedados em dois hotéis oferecidos pelo Governo local.

A embaixada do Brasil no Suriname emitiu um comunicado no qual informou que a missão integrada por diplomatas brasileiros e representantes do Governo surinamês se reuniu com autoridades locais e constatou que o brasileiro apontado como autor do homicídio que suscitou os ataques está foragido.

De acordo com a Polícia de Albina, o suposto assassino fugiu em direção à Guiana Francesa.

A missão, segundo o boletim, visitou também a brasileira Deniclea Furtado Teixeira, que estava grávida de três meses e perdeu seu bebê nos ataques.

Deniclea e outras oito pessoas se recuperam em um hospital de Saint-Laurent-du-Maroni, na Guiana Francesa e limítrofe com Albina.

Do total de 25 feridos, quatro permanecem internados em estado grave, mas fora de perigo.

"Não houve comprovação de mortes", diz o texto divulgado pela embaixada brasileira.

A missão diplomática permanecerá em Albina para esclarecer a situação de sete desaparecidos que foram dados como mortos por um missionário brasileiro que visitou a região no sábado.

O sacerdote José Virgílio, diretor da rádio "Katolica", disse à imprensa brasileira que pelo menos sete pessoas morreram nos ataques.

Virgílio comentou que, segundo os habitantes locais, a discussão que terminou no homicídio aconteceu por causa de uma dívida de um garimpeiro brasileiro com um dos transportadores de ouro surinameses.

Segundo o sacerdote, outros estrangeiros, como chineses, peruanos e colombianos, além de indígenas surinameses confundidos com estrangeiros, também foram vítimas dos ataques.

O religioso assinalou que um centro comercial, automóveis, postos de gasolina e as casas dos estrangeiros foram destruídos.

A 150 quilômetros de Paramaribo, Albina fica na fronteira com a Guiana Francesa e tem cerca de dez mil habitantes, a maioria dedicada à mineração. EFE wgm/bba

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