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Lula: G8 reconhece importância dos emergentes

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira que os países emergentes estão ganhando o reconhecimento das nações ricas. Lula falou no final do encontro de cúpula do G8, o grupo que reúne os sete países mais desenvolvidos do mundo mais a Rússia, que terminou nesta quarta-feira na ilha de Hokkaido, no Japão.

BBC Brasil |

Segundo o presidente, um dos indícios desse reconhecimento seria o aumento da participação dos países emergentes nas reuniões anuais de cúpula do G8, o que demonstraria que as nações ricas estariam se conscientizando da importância de se incluir os emergentes em qualquer negociação sobre os principais problemas que afligem o planeta.

"Há uma evolução da consciência de que não é mais possível para as nações ricas se reunirem sem levarem em conta as mudanças na economia global nos últimos dez anos", afirmou Lula.

Segundo ele, se os países ricos não levarem em conta os países emergentes em suas discussões, "poucas coisas podem ser feitas".

Lula e os líderes de outros quatro países emergentes - China, Índia, México e África do Sul, o chamado G5 - participaram pelo quarto ano consecutivo como convidados da cúpula do G8.

O presidente brasileiro apontou como exemplo desse reconhecimento pelos países desenvolvidos o fato de que o premiê Silvio Berlusconi, da Itália, organizador da cúpula do ano que vem, prometeu agendar um dia inteiro de discussões entre o G8 e o G5 no encontro de 2009, ao contrário das poucas sessões destinadas nos últimos anos.

A cúpula italiana também teria a participação dos países do G5 num dia extra com a participação também de líderes de países africanos.

Apesar do otimismo de Lula, as chances da transformação do G8 em G13, com a incorporação efetiva dos cinco países emergentes convidados, parecem remotas nas condições atuais, com a oposição declarada de parte dos seus membros, como os Estados Unidos e o Japão.

"Um ou outro pode resistir, porque ninguém gosta de migrantes, mas somos migrantes importantes", brincou Lula.

"Estou convencido de que nos próximos anos isso (a ampliação) irá se concretizar."
Crise dos alimentos
Lula disse ainda ter aproveitado o café da manhã em conjunto com os países do G8 para discutir a questão do aumento dos preços globais dos alimentos.

"É importante não só termos um discurso comum, mas também um diagnóstico comum sobre a origem do problema. Depois do diagnóstico, tomamos uma decisão para resolver o problema", argumentou.

O presidente brasileiro reclamou que "os mais precipitados acham que os biocombustíveis são os responsáveis pela crise dos alimentos".

"Mas tirando o etanol de milho americano não há nenhuma novidade na área, o Brasil continua produzindo da mesma maneira que antes", disse.

Para Lula, o Brasil vê a atual crise como "uma grande oportunidade para voltarmos a produzir muito mais alimentos".

"É um desafio importante, porque o mundo tem condições de produzir todo o alimento de que necessita", afirmou.

"Com a economia crescendo, as pessoas vão continuar comendo mais, então temos que produzir mais também. Esse é o desafio."
Imigração
Após uma série de encontros bilaterais com diversos dos líderes participantes da cúpula japonesa, Lula disse ter cobrado os países europeus sobre a nova política da União Européia para imigração, que prevê a prisão para os imigrantes ilegais.

Segundo ele, o Brasil "está muito à vontade para falar sobre o assunto por conta da sua experiência histórica com os imigrantes".

"O tratamento que o Brasil deu para a entrada de alemães, italianos, espanhóis, japoneses e mais recentemente latino-americanos é o tratamento que queremos que nos dêem", afirmou.

"Essa nunca deveria ser tratada como uma questão de polícia", afirmou o presidente.

Lula comparou os países europeus à "casa de gente que vai ficando rica e na medida em que sobe socialmente deixa de convidar os parentes".

"Os países ricos acham que os pobres incomodam", disse o presidente. "Mas só há uma maneira de se solucionar o problema, que é acabando com os subsídios agrícolas. A lógica é trabalhar para que esses países se desenvolvam e que as pessoas tenham o que comer", concluiu o presidente.

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