Lula fecha visita à Turquia em busca de relançar elo centenário

Ancara, 22 mai (EFE).- Brasil e Turquia aproveitaram uma cúpula bilateral de dois dias para relançar uma relação comercial centenária, mas cujo verdadeiro potencial está ainda por ser alcançado e que pretende abrir novas via de colaboração em setores como energético, aeronáutico, automotivo e têxtil.

EFE |

A visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Ancara terminou hoje com a decisiva aposta dos dois países por relançar uma relação iniciada há 151 anos, quando foi assinado um acordo entre o Império do Brasil e o Império Otomano.

Em um gesto simbólico, o chefe de Estado turco, Abdullah Gül, presenteou Lula com uma cópia do documento e destacou que sua visita, a primeira de um presidente brasileiro à Turquia, abre uma nova página na relação dos dois países.

Uma etapa em que a energia tem papel essencial e na qual é peça fundamental o acordo assinado hoje entre a Petrobras e a Corporação de Petróleo Turca, com o objetivo de realizar prospecções no Mar Negro, no valor de 800 milhões de euros.

A importância do convênio foi destacada pelos dois presidentes, que compartilharam otimismo perante a possibilidade de encontrar jazidas de petróleo.

Fora isso, concordaram ao expressar interesse em cooperar em novas tecnologias energéticas e na produção de etanol e biodiesel.

Nesse sentido, Gül ressaltou o sucesso do Brasil na produção de combustíveis ecológicos e apostou em trabalhar também nessa linha.

Lula, por sua vez, garantiu que seu país não empregará cultivos turcos para gerar esses combustíveis, mas propôs que ambos os países invistam na produção de biodiesel e etanol em nações africanas.

Outro aspecto em que Gül e Lula concordaram foi sobre a necessidade da abertura de conexões aéreas diretas entre São Paulo e Istambul, ao considerarem as duas cidades portas de entrada para os mercados locais.

As duas delegações de empresários e políticos que participaram dos encontros desses dois dias manifestaram decepção com o ainda reduzido volume da balança comercial entre Turquia e Brasil.

Apesar de em 2008 ter chegado à cifra de US$ 1,8 bilhão, 400% mais que em 1999, os analistas consideraram que a quantidade está muito abaixo do potencial econômico das relações comerciais turco-brasileiras.

A esse respeito, o presidente Lula indicou que a atual crise econômica está criando oportunidades para encontrar novos parceiros e definiu sua visita à Turquia como parte de uma estratégia nesse sentido.

Durante os encontros oficiais em Ancara, foi debatido também sobre a reativação da comissão conjunta turco-brasileira criada há dez anos. Lula defendeu que esse grupo de trabalho se reúna pelo menos uma vez a cada dois anos e também a criação de uma câmara de comércio conjunta.

O Brasil, como terceiro produtor aeronáutico do mundo, mostrou também seu desejo de fabricar aviões juntamente à Turquia.

No âmbito financeiro, a Turquia destacou a posição do Brasil sobre o Fundo Monetário Internacional (FMI), uma vez que Ancara mantém há décadas uma política que segue as recomendações desse órgão.

Lula destacou ontem que o FMI foi criado para emprestar dinheiro aos países que necessitem, mas que o que não deveria ser feito "é se intrometer nas políticas internas dos países para quem empresta".

"Isso é impensável", criticou o presidente brasileiro, que disse considerar que Ancara não terá grandes dificuldades para alcançar um novo acordo com o FMI.

Gül lembrou que Turquia e Brasil não têm problemas políticos e que compartilham pontos de vista similares.

Ao se despedir do país, Lula enviou uma mensagem aos empresários turcos: "A Turquia, com 72, e o Brasil, com 190 milhões de habitantes, são dois países emergentes com muito ainda por construir. Portanto, que o façamos juntos". EFE Dt/rr

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