Lula fecha 2009 entre reconhecimento, Jogos Olímpicos, filme e críticas

São Paulo, 29 dez (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encerrará 2009, seu sétimo ano de Governo, entre o reconhecimento internacional, a alegria por trazer os Jogos Olímpicos para o Brasil, o sucesso de um filme biográfico ainda não lançado e as críticas de ambientalistas e da imprensa.

EFE |

O cartão de visitas em que a economia brasileira se tornou, somada ao carisma de Lula, fizeram com que o Brasil seja hoje um país levado em conta nas decisões internacionais.

Não por acaso, após sua participação na Cúpula Mundial da Mudança Climática, em Copenhague, o presidente somou 87 dias no exterior em 2009, seu recorde de tempo fora do país desde que assumiu o poder, em 1º de janeiro de 2003.

No total, Lula visitou 31 países, alguns mais de uma vez, como Argentina, Estados Unidos, Dinamarca, França e Itália. Na agenda de 2010, já está reservada sua presença no encerramento da Copa do Mundo, na África do Sul.

Apesar das lacunas em matéria de pobreza e combate à corrupção, a gestão de Lula se traduziu em conquistas pessoais como a vitória do Rio de Janeiro na disputa para sediar os Jogos Olímpicos de 2016, algo que, junto com a Copa de 2014, sempre foi um sonho do presidente.

Os elogios para Lula vieram de seus colegas, como o americano Barack Obama, para quem o presidente brasileiro "é o cara" para levar em conta no contexto internacional.

O presidente do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, defendeu a escolha de Lula como personagem ibero-americano do ano pelo jornal "El País", por ser um "um homem completo e tenaz", pelo qual sente uma "profunda admiração".

"Não me estranha que este homem assombre ao mundo", ressaltou Rodríguez Zapatero, enquanto o governante venezuelano, Hugo Chávez, expressou em um de seus discursos que "o Brasil não é mais um subimpério desde que Lula chegou".

Pela primeira vez em seus 65 anos de história, o jornal francês Le Monde decidiu escolher uma "personalidade do ano" e o reconhecimento foi para Lula por "seu singular percurso, de antigo sindicalista até o êxito à frente de um país tão complexo como o Brasil".

O jornal britânico "Financial Times" também escolheu Lula entre as cinquenta personalidades da década, enquanto para a consultoria Interconsult, o presidente brasileiro foi o segundo personagem mais admirado este ano pelos uruguaios, atrás apenas de Obama.

Apesar de não ter conseguido concretizar a aspiração brasileira de ter um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, disse que era "sincero" quando manifestou que esse organismo "precisava da presença de Lula".

Nas últimas semanas do ano, a figura de Lula chegou até o conflito do Oriente Médio, onde emerge como potencial mediador após receber em novembro os chefes de Estado de Israel, Shimon Peres, e do Irã, Mahmoud Ahmadinejad.

Além disso, o filme "Lula, o Filho do Brasil", inspirado em sua história, já teve sucesso na pré-estreia e começa a ser exibido em circuito na próxima sexta-feira, consolidando ainda mais a imagem do governante rumo ao seu último ano de mandato.

Apesar de gozar de um carisma que pode transformá-lo em candidato para assumir a direção de algum organismo multilateral, segundo opinam analistas internacionais, Lula não chega ao final deste ano livre de críticas.

O Greenpeace do Brasil apontou contradições no discurso de Lula sobre o meio ambiente, ao considerar que há discrepâncias entre as políticas internas e o que diz em fóruns internacionais.

O Governo anunciou ontem sua intenção de introduzir três vetos à nova Política Nacional de Mudança Climática, que segundo a organização ambientalista transformarão o projeto em uma lei "cujo cumprimento é voluntário".

Em uma coluna publicada pelo jornal argentino "Perfil", o jornalista uruguaio Danilo Arbilla, ex-presidente da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), também criticou Lula por causa da legislação que promove "para regular, fiscalizar e vigiar aos jornalistas e os veículos de comunicação".

Com seu projeto de lei sobre a imprensa, o governante brasileiro "impulsionará a 'democratização da informação e dos veículos de comunicação', que é a capa que o progressismo vernacular utiliza para denominar suas tentativas de amordaçar a imprensa", afirmou Arbilla. EFE wgm/bba

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG