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Lula expressa preocupação a Uribe sobre bases militares

Em encontro com o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressou preocupação sobre o acordo militar entre americanos e colombianos, que está em negociação. O chanceler Celso Amorim disse que a conversa entre os dois mandatários, que durou cerca de duas horas, transcorreu em clima de diálogo.

BBC Brasil |

Uribe não comentou a conversa e apenas "agradeceu ao presidente Lula pelo diálogo amplo".

"Nossas preocupações foram expressas e o presidente Uribe deu explicações que achou que deveria dar sobre os objetivos do acordo", disse Amorim.

Giro
A visita de Uribe ao Brasil faz parte de um giro pela América do Sul, que incluiu sete países. A iniciativa partiu do governo colombiano, depois de ter sido criticado por governos da região pela "falta de transparência" com relação ao acordo com os Estados Unidos.

De acordo com Amorim, o presidente Lula teria ainda reiterado a importância do Conselho de Defesa da Unasul (União das Nações Sul-Americanas), que tem como objetivo, entre outros, discutir questões técnicas e "permitir um clima de confiança", disse Amorim.

"Claro que não somos ingênuos. Muitas vezes isso não é uma coisa fácil, mas o objetivo é caminharmos nessa direção", disse Amorim.

Apesar das ponderações do governo brasileiro, Uribe não deve ir à cúpula da Unasul, que acontece nesta segunda-feira, no Equador.

Segundo Amorim, Lula mencionou ainda durante o encontro a "importância de os países da América do Sul assumirem também o combate ao narcotráfico".

"É algo que nós temos que combater, sem ingerências externas", disse o chanceler, referindo-se à participação dos Estados Unidos nos projetos militares da Colômbia.

Périplo
Depois de três dias de viagem pela América do Sul, Uribe ouviu posições diferentes sobre o acordo militar com os Estados Unidos.

Enquanto Bolívia e Argentina foram mais críticos sobre o uso das bases pelos americanos, Peru e Chile adotaram uma postura mais conciliadora, de aceitar o acordo como um projeto "soberano" da Colômbia.

A posição brasileira seria "intermediária", segundo avaliação de uma fonte do governo. O Brasil não estaria interessado em "comprar briga" com os colombianos, justamente no momento em que as relações entre os dois países passam um "ótimo momento".

A crítica do Palácio do Planalto, segundo essa mesma fonte, não seria tanto em relação às bases militares, mas sim à forma como o assunto foi encaminhado - "sem diálogo", o que iria de encontro à proposta da administração de Barack Obama para a região.

A avaliação brasileira é de que a região "mudou" e que, portanto, merece "um novo tratamento".

"Além disso, faltou considerar a complexidade das relações com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez", disse a fonte à BBC Brasil.

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