Lula expressa apoio a Morales em referendo constitucional na Bolívia

ARROYO CONCEPCIÓN - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva mostrou hoje seu apoio ao chefe de Estado boliviano, Evo Morales, no referendo constitucional que acontecerá na Bolívia em 25 de janeiro, e disse que a lição deve ser governar para todos.

EFE |

"Tenho a convicção de que o referendo sobre a nova Constituição (...) será um passo decisivo" na refundação democrática da Bolívia, disse Lula na localidade fronteiriça de Arroyo Concepción, onde inaugurou com Morales um trecho do corredor interoceânico que ligará o litoral do Brasil e do Chile.

"Conte conosco. Somos irmãos e precisamos estar juntos nos bons e nos maus momentos", disse o presidente brasileiro, que afirmou que seu país acompanha o processo vivido na Bolívia com "atenção e admiração".

A Bolívia submeterá a referendo um projeto constitucional que acabou sendo estipulado no Congresso Nacional entre Morales e parte de seus opositores após a introdução de mais de 100 modificações no texto apresentado pela Assembleia Constituinte.


Em visita à Bolívia, Lula participa de cerimônia oficial com Morales / EFE

No entanto, os opositores a Morales continuam rejeitando o projeto, que será submetido a consulta em 25 de janeiro.

Segundo Lula, com este referendo, a antecipação das eleições gerais e o compromisso de se apresentar a apenas uma reeleição, Morales está "dando um exemplo democrático que muita gente que governou este país não deu".

O presidente brasileiro também insistiu em sua recomendação a Morales de ter "paciência" diante das adversidades que surgem no exercício de Governo.

Assim, destacou que a lição que precisa ser aprendida é a de "governar para todos", embora alguns "ainda não tenham digerido" que "um índio" tenha se tornado o presidente da Bolívia.

Também recomendou a Morales que não caia nas provocações dos adversários e não brigue com os meios de comunicação, nem faça política a partir deles.

Lula chegou hoje à localidade fronteiriça boliviana de Arroyo Concepción, onde pouco depois foi recebido por Morales para inaugurar um trecho do corredor interoceânico e discutir a agenda energética comum.

Gás

O encontro ocorre menos de uma semana depois que a demanda brasileira de gás boliviano caiu de 31 milhões de metros cúbicos diários para 19 milhões.

No entanto, o Executivo de Evo Morales conseguiu chegar a um acordo com o Brasil para aumentar o envio para 24 milhões até maio.

Neste sentido, Lula disse hoje que não faltarão investidores nem consumidores de seu país para o gás produzido pela Bolívia.

Em seu discurso, o presidente brasileiro agradeceu pelo fato de Morales ter sido "fiel a sua palavra de que nunca faltará gás para o Brasil", e por isso assegurou que "não faltarão investimentos e consumidores brasileiros para essa riqueza boliviana".

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