Lula exige garantias sobre acordo entre EUA e Colômbia

BARILOCHE - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu nesta sexta-fera à Colômbia garantias jurídicas de que o convênio militar que o país assinou com os Estados Unidos não afetará a região, em discurso na Cúpula Extraordinária da União de Nações Sul-americanas (Unasul), em Bariloche, Argentina.

Redação com agências internacionais |

"Respeitamos o acordo, mas queremos nos resguardar", afirmou o presidente, que insistiu na necessidade de que os países da região possam "ter a segurança" de contar com instrumentos jurídicos que garantam que o acordo "é específico para o território colombiano".


Lula participou nesta sexta-feira da cúpula da Unasul / EFE

"Não está (no acordo), mas também não é proibido, o que não é proibido é permitido, temos que ter cuidado com isso", afirmou. "Ter cuidado e tomar sopa não fazem mal a ninguém", brincou o governante.

Lula disse que ainda aguarda uma resposta do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, à sua proposta de convocar uma reunião com os membros da Unasul para debater o tema.

Discussão com outros líderes

Lula destacou a importância de "provocar uma boa discussão com Obama para discutir qual é o papel dos EUA para a América Latina", mas admitiu que "é difícil que um presidente em começo de mandato tenha o controle de tudo".

O presidente, que se mostrou partidário de convocar o Conselho de Defesa Sul-americano para fazer um "estudo real" sobre a situação das fronteiras dos 12 membros da Unasul, admitiu que a soberania nacional "é algo sagrado", mas pediu que Uribe reflita.

"O que queremos é que quando o companheiro Uribe tenta mostrar que as bases (dos EUA) já existem na Colômbia desde 1952, eu queria dizer de maneira muito carinhosa, se as bases americanas estão na Colômbia desde 1952 e ainda não há soluções ao problema deveríamos pensar em outra coisa que pudéssemos fazer em conjunto para resolver os problemas", ressaltou.

Drogas e Amazônia

Lula admitiu que os traficantes de drogas utilizam as fronteiras dos países do Cone Sul, mas lembrou que "os grandes consumidores não estão" na região.

"Seria extremamente importante que o mundo rico, além de querer combater o narcotráfico em nossas fronteiras, o combatesse dentro das suas fronteiras", defendeu.

Ele também expressou preocupação com as consequências do acordo para áreas vulneráveis para a América do Sul, como a Amazônia. "Às vezes, me dá a impressão de que a Amazônia é dos países ricos e que eles querem decidir a política na Amazônia", denunciou.

Lula propôs a seus parceiros "construir um melhor padrão de relação" e disse que a única forma de evitar conflitos precipitados é conter as palavras.

"Cada um de nós deve chegar às portas destas reuniões com a decisão de se queremos construir um clima de paz ou um clima de guerra", afirmou.

Críticas de Chávez

Lula pediu "moderação" ao colega venezuelano Hugo Chávez, mas a sugestão não reduziu as diferenças em torno do acordo militar entre Colômbia e Estados Unidos.

Chávez citou parágrafos supostamente atribuídos a um documento das Forças Armadas americanas dizendo que os militares deveriam "ampliar a mobilidade" na América do Sul. Para Chávez, essa "mobilidade" na região poderia surgir a partir deste pacto entre Colômbia e Estados Unidos.

Uribe se defende

Pouco antes das palavras de Chávez, o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, justificou o acordo dizendo que os Estados Unidos foram, há muito tempo, o único país que ajudou seu país "de forma prática". "Recebemos muita solidariedade de muitos lados, mas foram os EUA que nos ajudaram, na prática, contra o narcoterrorismo".

Uribe afirmou ainda que o novo pacto militar com Estados Unidos não "afetará terceiros países" e não "deixará que a Colômbia perca um milímetro de sua soberania".

Cúpula focada em acordo militar

A União de Nações Sul-americanas (Unasul) realizou nesta sexta-feira uma reunião especial para discutir o acordo militar entre Colômbia e Estados Unidos, motivo de divergência na região e responsável por impedir um pronunciamento conjunto na cúpula passada.

O acordo para que os EUA utilizem até sete bases colombianas foi recebido com respeito, mas também com preocupação por Brasil, Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai, foi apoiado pelo Peru e enfrenta oposição firme de Venezuela, Equador e Bolívia.

Esta foi a segunda reunião de chefes de Estado já feita em Bariloche, principal centro turístico de inverno na Argentina, 1.650 quilômetros ao sul de Buenos Aires, que já havia recebido a Cúpula Ibero-Americana de 1995.

A Unasul substituiu, em março de 2008, a Comunidade Sul-Americana de Nações (CSN), criada em 8 de dezembro de 2004 no Peru por todos os países da América do Sul.

- Com AFP, EFE e informações da BBC Brasil

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