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Lula espera que Obama tenha ouvido troca de presos proposta por Raúl Castro

(corrige lide) Brasília, 19 dez (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou hoje confiar que o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, tenha ouvido o presidente cubano, Raúl Castro, no sentido de que poderia trocar dissidentes por cinco agentes cubanos.

EFE |

Lula declarou aos jornalistas que a proposta que Raúl fez ontem em sua presença durante visita a Brasília foi "uma surpresa" e a considerou um "passo positivo" em direção ao possível início de um diálogo entre Estados Unidos e Cuba.

Em Brasília, ao responder com visível irritação à pergunta de um jornalista sobre a situação de presos por crime de opinião em Cuba, Raúl afirmou que se os EUA "querem os dissidentes, os mandamos amanhã, com família e tudo, mas que nos devolvam nossos cinco heróis".

Assim referiu-se Castro aos agentes cubanos Gerardo Hernández, René González, Antonio Guerrero, Ramón Labañino e Fernando González, detidos na Flórida em 12 de setembro de 1998 e condenados por espionagem e conspiração para assassinato, a penas que vão de 15 anos de reclusão à prisão perpétua.

"Por que não falamos dos US$ 57 milhões que o Congresso dos EUA aprovou para pagar agentes ou dos nossos cinco 'heróis', que nunca fizeram nada e estão presos há dez anos?", disse Raúl, esquivando-se da pergunta sobre os dissidentes - ativistas, intelectuais e jornalistas presos por se manifestarem contra o regime dele e do irmão e antecessor Fidel Castro.

A declaração do presidente cubano foi imediatamente rejeitada pela Casa Branca, que voltou a exigir a libertação de todos os dissidentes políticos presos em Cuba sem nada em troca.

"Há muito tempo pedimos que Cuba liberte os presos políticos e agora recomendamos que o faça imediatamente", declarou à Agência Efe em Washington a porta-voz do Escritório para a América Latina do Departamento de Estado americano, Heidi Bronke.

Heidi acrescentou que a liberdade dos dissidentes não tem relação alguma com o caso dos cinco cubanos presos nos Estados Unidos, que "foram julgados" e não "detidos" por suas idéias políticas.

A dissidência cubana em Havana também rejeitou a troca sugerida por Raúl.

Elizardo Sánchez, líder da Comissão Cubana de Direitos Humanos (CCDHRN), disse à Efe que essa proposta "mostra a falta de independência dos tribunais em Cuba", porque expõe que o Governo "pode dar a ordem" de libertar os presos.

"É impraticável qualquer tipo de comparação com os prisioneiros por crime de opinião", acrescentou Sánchez, vaticinando que a postura de Castro alimentará o "mesmo imobilismo que caracterizou o regime (comunista)" durante os últimos 50 anos, sem abertura democrática.

Segundo a CCDHRN, atualmente há 210 presos políticos em Cuba.

Um deles, o jornalista Ricardo González Alfonso, está preso desde 2003, poucos meses após fundar a primeira revista não-estatal do país, "De Cuba". Foi escolhido este mês o "jornalista do ano" pela organização Repórteres Sem Fronteiras.

Durante um café da manhã com jornalistas no Palácio do Planalto, Lula também voltou a defender hoje o fim do embargo a Cuba, que, em sua opinião, carece de "justificativa" dos pontos de vista "moral", "político", "ético" e "econômico".

As declarações foram feitas durante encontro com jornalistas no qual estes não puderam gravar suas declarações e de tomar nota delas, de acordo com determinação do Palácio do Planalto. EFE ed/jp/fr

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