Lula espera avanços em acordos entre A.Central e Mercosul em 2009

San José, 3 jun (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assegurou hoje na Costa Rica, onde fez uma curta visita oficial, que espera ver este ano avanços concretos que permitam um acordo prévio de associação entre a América Central e o Mercosul.

EFE |

Esse foi o principal assunto abordado por Lula na reunião que teve na Casa Presidencial, em San José, com o presidente costarriquenho, Óscar Arias, que assumirá a Presidência do Sistema de Integração Centro-Americana (Sica) já a partir de julho.

Em coletiva de imprensa após o encontro, Lula disse que confia que sob a liderança de Arias e do presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, à frente do Mercosul no segundo semestre do ano, serão alcançados avanços importantes no tema, pois um dos maiores interesses do Brasil é facilitar a integração no continente.

"Esperamos que os dois presidentes possam nos dar de presente a possibilidade de realizar um acordo de grande importância para os dois blocos. Os dois são presidentes com experiência e poderão guiar as regiões rumo a acordos que beneficiem as duas partes", assinalou Lula.

De acordo com o presidente brasileiro, nos últimos anos o país decidiu voltar mais os olhos para a América Latina, e embora em relação à integração regional "as coisas não ocorram tão fácil, pelo menos caminham" e já se "avançou muito".

"Há menos de dez anos, a América Latina estava orientada só para os Estados Unidos ou a União Europeia e quase não olhávamos entre nós. Hoje estamos frente a frente, buscamos similitudes e realizamos acordos. É incrível que o Brasil, sendo tão grande, estivesse olhando para tão poucos parceiros", comentou.

É dentro dessa ideia de integração latino-americana que Lula pretende conseguir a assinatura de um acordo entre América Central e Mercosul, embora tenha esclarecido que o bloco sul-americano deve cuidar das assimetrias entre os países, pois atualmente o Brasil por cada dólar que a América Central lhe compra, vende 24 a essa região.

Para resolver essas dificuldades, o governante disse acreditar que o investimento é um bom mecanismo, pois de acordo com ele, as empresas, por exemplo brasileiras, que se instalariam na América Central, poderiam não só exportar aos EUA, mas também ao próprio Brasil.

"É preciso fazer com que ambos os lados ganhem ou caso contrário, não haverá comércio", expressou.

Arias ressaltou que há vantagens importantes para a América Central no comércio com o Mercosul, pois esse mercado pode ser fornecedor de diversos bens industriais a preços muito mais baratos que os tradicionais.

Entre os setores que tanto Arias como Lula apontaram como promissórios quanto a investimento, se destaca a produção de etanol para biodiesel, na que o Brasil é líder mundial e um grande fornecedor dos EUA.

Quanto a questões bilaterais, os presidentes só assinaram um acordo de cooperação entre a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) e o Instituto de Aquedutos e Encanamentos, para melhorar os sistemas de saneamento e tratamento de águas na Costa Rica.

Lula se referiu à Costa Rica como um país "com um desenvolvimento único no continente. Sem Exército, capaz de negociar a paz centro-americana e de conquistar um modelo de desenvolvimento e uma política de distribuição de renda que é a inveja de muitos países do mundo".

Após seu encontro, os presidentes almoçaram em um ato particular e o presidente brasileiro voltará ainda hoje ao país.

Lula realizou esta semana uma breve viagem por El Salvador, onde participou da posse do novo presidente, Mauricio Funes, e Guatemala, onde se reuniu com o líder Álvaro Colom. EFE nda/rr

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