Lula envia mensagens a líderes do "Grupo de Viena"

Presidente brasileiro pediu o apoio de Barack Obama, Nicolas Sarkozy e Dimitri Medvedev ao acordo mediado com o Irã

BBC Brasil |

O presidente Lula enviou mensagens aos colegas dos Estados Unidos, Barack Obama, da Rússia, Dimitri Medvedev, e da França, Nicolas Sarkozy, dizendo que o Irã cumpriu sua parte e comunicou a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) sobre o acordo para enriquecimento de urânio na Turquia.

A informação foi dada, nesta terça-feira, pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, durante entrevista aos jornalistas brasileiros, na embaixada do Brasil em Buenos Aires. Amorim acompanhou Lula na visita ao país vizinho para participar das comemorações do bicentenário da independência argentina. "Foi uma mensagem, um substituto do telefonema, um tipo de e-mail, mas verbal. Mas claro que eles vão poder falar por telefone também", disse Amorim.

Segundo ele, Lula enviou a mensagem para Obama na segunda-feira e para Medvedev e Sarkozy nesta terça-feira. "Na mensagem, o presidente recapitula que houve a carta, que era um fato esperado, e que se houver resposta positiva (dos Estados Unidos, Rússia e França) poderá se criar um ciclo virtuoso para criação de confiança e daí poder se tratar todos os temas que interessam à comunidade internacional, que nós sabemos que não se esgotam (nesse acordo)", afirmou Amorim.

Os três países - Estados Unidos, Rússia e França - integram o chamado Grupo de Viena. "A resposta positiva deste Grupo de Viena, além da Agência (AIEA) seria importante para que possam ser discutidos os próximos passos", disse. Segundo o chanceler, "a bola agora está com eles". Amorim voltou a dizer que o acordo assinado pelo Brasil, Turquia e Irã em 17 de maio "respeita" o entendimento que foi sugerido pelos Estados Unidos. "Ninguém ignora, nem nós, nem os Estados Unidos e nem Irã, que existem muitos outros pontos a serem discutidos. Mas é avançar neste acordo, que criaria confiança, e depois discutir os outros pontos, como o enriquecimento do urânio a 20% e a questão das usinas nucleares", disse Amorim.

O chanceler afirmou ainda que o processo precisa de outros interlocutores para seu desenvolvimento. "Não podemos (Brasil e Turquia) levar adiante sozinhos. Nós fizemos nosso esforço que, de alguma maneira, inicialmente, foi incentivado pelo proprio presidente Obama e por outros. Todos muitos descrentes, dizendo: 'vão lá e se vocês conseguirem muito bem'. Aí, quando a gente consegue, falam: 'não vão cumprir, e (os iranianos) não enviariam a carta'. E agora eles mandaram a carta (para a AIEA) e acham que nao é suficiente. Eu não sei, aí é dificil", disse.

Lula não fez declarações à imprensa durante as comemorações do bicentenário. Ele esteve ao lado da presidente da Argentina, Cristina Kirchner, além de Evo Morales, da Bolívia, Hugo Chávez, da Venezuela, Rafael Correa, do Equador, Fernando Lugo, do Paraguai, e José 'Pepe' Mujica, do Uruguai. Eles inauguraram uma galeria de fotos de políticos da América Latina, como Getúlio Vargas e Tiradentes, do Brasil, e caminharam, diante da multidão, até um palanque, onde assistiram ao desfile pelas comemorações, no centro de Buenos Aires.

Estima-se, segundo o site Infobae, que seis milhões de pessoas participaram da maratona de quatro dias de festas pelo bicentenário do país.

    Leia tudo sobre: brasilturquiairãobamalulamedvedevsarkozy

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG