Lula e Zapatero tratarão de cooperação entre Brasil e Espanha

Brasília, 14 mai (EFE).- A cooperação entre Brasil, Espanha e outros países será um dos assuntos centrais do encontro de trabalho que será mantido amanhã entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero.

EFE |

Zapatero chegará a Brasília no início da madrugada de quinta-feira e se reunirá amanhã com Lula no Palácio da Alvorada.

Segundo adiantou o próprio Lula, a cooperação com terceiros para estimular o desenvolvimento será um dos assuntos dominantes do encontro, no qual também serão analisadas as promissoras relações comerciais e econômicas entre Brasil e Espanha.

Um desses projetos conjuntos de cooperação será focado no Haiti, com o objetivo de atenuar a crise causada neste país pela alta mundial dos preços dos alimentos.

A iniciativa, segundo fontes oficiais brasileiras, deverá ser anunciada formalmente na próxima sexta-feira em Lima, durante a 5ª Cúpula América Latina-Caribe-União Européia (EU-LAC, na sigla em inglês), à qual ambos os chefes de Governo comparecerão após um breve café da manhã de trabalho em Brasília.

Também em Lima, Brasil e Espanha se propõem a anunciar um plano para colaborar com a expansão dos serviços de água potável na Bolívia, outro país incluído nos programas de cooperação que Lula e Zapatero desejam promover em conjunto.

Na terça-feira, Lula declarou que "iniciativas como esta devem ter o apoio de fontes inovadoras de financiamento", um ponto que será debatido com o chefe de Governo espanhol.

A cooperação trilateral pretendida por ambos os líderes também visa parcerias na África, continente com o qual o presidente Lula considera que o Brasil tem uma "dívida histórica", por ter sido um dos maiores receptores de escravos no período colonial.

Fontes oficiais brasileiras disseram que Lula também deseja um apoio claro de Zapatero aos projetos de biocombustíveis desenvolvidos no Brasil, que nos últimos meses foram alvo de críticas devido a seus possíveis efeitos no preço dos alimentos.

Esse apoio já foi antecipado em 29 de abril pelo ministro de Assuntos Exteriores espanhol, Miguel Ángel Moratinos, que disse em visita a Brasília que "a política de biocombustíveis do Brasil tem todo o apoio da Espanha".

O Brasil está em plena "ofensiva diplomática" para convencer o mundo de que o etanol produzido com cana-de-açúcar não influenciou na escalada dos preços dos alimentos, um efeito que atribui à variante do combustível feita com o milho pelos Estados Unidos.

Outros assuntos na agenda dos governantes serão as discussões para um acordo de livre-comércio entre Mercosul e União Européia (UE).

O diálogo está suspenso e subordinado ao resultado da Rodada de Doha, na qual o Brasil lidera um grupo de países em desenvolvimento que pressiona pela eliminação ou redução dos subsídios à agricultura nas nações mais ricas.

O Brasil, que no segundo semestre deste ano assumirá a Presidência rotativa do Mercosul, pretende que o diálogo deste bloco com a UE esteja suficientemente adiantado por ocasião do encerramento da Rodada de Doha, que também está completamente estagnada.

No plano bilateral, o assunto central do encontro serão as possibilidades abertas pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para uma nova onda de investimentos espanhóis no Brasil, que na última década acumularam US$ 35 bilhões. EFE ed/ev/gs

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