Rio de Janeiro, 23 dez (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o chefe de Estado da França, Nicolas Sarkozy, reforçaram hoje a aliança estratégica entre os dois países com a firma de dez acordos, principalmente militares, e posições comuns para combater a crise financeira e salvar a Rodada do Desenvolvimento de Doha.

Os acordos de transferência de tecnologia militar permitirão ao Brasil construir cinco submarinos (um deles com propulsão nuclear), 50 helicópteros, um estaleiro militar e uma base naval com tecnologia francesa.

Os tratados foram assinados hoje no Rio de Janeiro durante a visita oficial ao Brasil realizada por Sarkozy, que ontem, em sua condição de presidente rotativo da União Européia (UE), participou da cúpula Brasil-UE com Lula.

"Estabelecemos uma associação para falar com a mesma voz nos fóruns internacionais, nos quais defenderemos uma reestruturação do sistema financeiro, combateremos o protecionismo e impulsionaremos as negociações da Rodada de Doha", disse Sarkozy, em entrevista coletiva.

"Associamo-nos para participar juntos nos debates dos grandes temas da agenda internacional e comprometidos com uma ordem internacional mais justa", acrescentou Lula.

Os dois presidentes também assinaram um plano de ação que orientará a relação entre os dois países nos próximos anos e que prevê, além de um diálogo político contínuo, cooperação econômica e comercial, militar, espacial, nuclear, ambiental e educativa.

Sarkozy anunciou que França e Brasil apresentarão na próxima Cúpula do Grupo dos Vinte (G20, os países mais ricos e os principais emergentes), prevista para 2 de abril, em Londres, propostas conjuntas para reestruturar o sistema financeiro internacional, definir um novo papel para o Fundo Monetário Internacional (FMI) e impulsionar as negociações da Rodada de Doha.

Após a reunião do G20 em novembro, em Washington, "Brasil e França continuarão atuando conjuntamente com vistas à refundação do sistema financeiro internacional para evitar novas distorções e recolocá-lo a serviço do financiamento da economia e do desenvolvimento", segundo o plano de ação assinado.

O presidente francês também defendeu um maior protagonismo internacional do Brasil nos fóruns internacionais.

Sarkozy apoiou que o Brasil seja incluído no Conselho de Segurança da ONU como membro permanente, e disse que continuará lutando por uma reestruturação do Grupo dos Oito (G8, os sete países mais desenvolvidos e a Rússia) que dê espaço a países como Brasil, China e Índia.

Segundo o plano de ação, as duas nações reafirmam sua "vontade de ampliar o Conselho de Segurança da ONU e o G8 com a entrada de novos membros" e a França apóia a candidatura brasileira às duas instituições.

"Queremos que o G8 seja transformado verdadeiramente em um G14.

Não podemos tratar os assuntos mais importantes do mundo sem países como o Brasil ou China, ou sem um país árabe", afirmou.

O plano de ação prevê que "Brasil e França serão parceiros privilegiados na área de defesa e desenvolverão uma cooperação militar a longo prazo baseada em associações industriais e transferência de tecnologia".

"Se a França aceita transferir a tecnologia militar é porque estamos conscientes de que o Brasil tem um grande potencial para promover a paz e a segurança, assim como tem um grande potencial econômico e político", disse Sarkozy.

Segundo Lula, o Brasil optou pela firma dos acordos militares com a França porque o país europeu "não só ofereceu os equipamentos em venda, mas também se comprometeu a construí-los no país e a transferir a tecnologia".

O presidente brasileiro disse que espera que a associação com a França tenha resultados concretos antes de 7 de setembro de 2009, quando Sarkozy voltará ao país como convidado especial para as comemorações do Dia da Independência.

Acrescentou que o aumento das relações já permitiu que o investimento francês no Brasil crescesse 62% em 2007 e que o fluxo comercial chegasse a US$ 7 bilhões no ano passado.

"A França se transformou em um mercado prioritários para nossas exportações, que queremos diversificar para que sejam de produtos de maior valor agregado", disse. EFE cm/an

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