Lula e Sarkozy defendem a necessidade de uma regulação financeira mundial

França e Brasil compartilham de uma total identidade de opiniões sobre a necessidade de uma regulação mundial, declarou nesta quarta-feira o presidente francês Nicolas Sarkozy, na véspera da cúpula do G20 em Londres, depois de se reunir, em Paris, com o presidente Luiz Inacio Lula de Silva.

AFP |

Na coletiva de imprensa conjunta realizada após a reunião, Lula explicou por que decisões do G20 deverão ser de teor político.

"As decisões do G20 serão decisões políticas", afirmou Lula em coletiva de imprensa com Sarkozy. "Há uma enorme expectativa sobre esta reunião. Não serão medidas fáceis se não tivermos a coragem de entender que as grandes decisões que devem ser tomadas serão decisões políticas", afirmou.

O presidente brasileiro esclareceu ainda que não serão os tecnocratas que ficarão encarregados das grandes decisões.

"Não queremos assumir a responsabilidade de uma reunião fracassada. Vamos ter que restabelecer o crédito no mundo", acrescentou.

"Estamos de acordo com o fortalecimento das instituições financeiras multilaterais para conceder mais recursos aos países pobres.

Lula disse que tanto ele quanto Sarkozy estão de acordo quanto ao controle dos paraísos fiscais.

"É inadmissível que, em um planeta Terra com mais de um bilhão de pessoas vivendo abaixo do nível da pobreza, alguém se dê ao luxo de tirar dinheiro do setor produtivo para colocá-lo no setor especulativo".

O chefe de Estado brasileiro admitiu que o tema enfrenta resistência no G20 e que será um assunto muito difícil de se tratar na cúpula desta quinta-feira.

Sarkozy recebeu Lula nas escadas do Palácio do Eliseu, sede da presidência francesa, onde realizaram uma reunião de trabalho.

Lula chegou acompanhado pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o assessor para Relações Internacionais, Marco Aurélio Garcia.

Mais cedo, fontes diplomáticas brasileiras afirmaram que o país tem um interesse especial na reforma das instituições financeiras, começando pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

Lula desembarcou na noite de terça-feira em Paris, procedente de Doha, onde na terça-feira assistiu a segunda reunião entre os 22 países da Liga Árabe e os 12 da América do Sul.

À tarde, Lula viajará de trem para Londres.

Nas últimas semanas o Brasil insistiu na necessidade de conclusão da Rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC), que o país considera a melhor maneira de acabar com as tentações protecionistas provocadas pela crise econômica.

Em uma entrevista publicada na edição de segunda-feira do jornal francês Le Monde, o presidente Lula afirmou que, diante da atual crise mundial, os problemas mais urgentes são o restabelecimento do crédito e a luta contra o protecionismo.

Lula afirmou esperar que o G20 "possa apresentar soluções capazes de contra-atacar os efeitos devastadores da crise e levar a uma profunda reformulação da economia internacional a médio e longo prazo".

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