BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o chefe de Estado da Costa Rica, Óscar Arias, se comprometeram hoje a acelerar a integração entre Mercosul e América Central para, juntos, fazerem frente às crises alimentícia e financeira globais.

"A união latino-americana é agora indispensável perante a crise financeira nos países desenvolvidos" e a ameaça que o alto preço dos alimentos gera para as nações mais pobres, declarou Lula em um ato realizado na sede da Chancelaria brasileira.

O presidente lembrou que convocou uma cúpula de países da América Latina e Caribe para dezembro na cidade de Salvador e que, além disso, técnicos dos países do Mercosul e do Sistema de Integração Centro-Americano (Sica) se reunirão em setembro para negociar um acordo comercial.

Segundo Arias, "não existe momento melhor" para avançar nessas discussões, que começaram há mais de cinco anos, mas não chegaram ainda a nada concreto, apesar das diferentes manifestações de vontade política dos líderes dos dois blocos.

"Estamos unidos pelos desafios latino-americanos da luta contra a pobreza, a desigualdade e a insegurança", acrescentou o líder costarriquenho.

O Mercosul é integrado por Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai, enquanto o Sica é formado por Belize, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras e Panamá, com a República Dominicana como país associado.

Segundo Lula, essas nações, assim como outras latino-americanas e do Caribe, estão em condições de produzir alimentos e energia suficientes para garantir seu crescimento e inclusive para abastecer o mundo que renovou perante Arias sua aposta nos combustíveis de origem vegetal.

Os biocombustíveis também foram objeto de conversas entre Lula e Arias e inclusive foram tema da assinatura de um acordo entre Costa Rica e Brasil, que por meio desse documento se comprometeu a cooperar na formação de técnicos no país centro-americano.

O convênio, assinado hoje na presença de ambos os presidentes, diz que o Brasil enviará à Costa Rica um grupo de especialistas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que participarão da formação de técnicos costarriquenhos.

A cooperação abrangerá o etanol brasileiro e também técnicas de produção de outros combustíveis alternativos ao petróleo, como os que são obtidos a partir da mandioca e de outros vegetais.

A Costa Rica é um importante produtor de cana-de-açúcar, cultivo ao que dedica cerca de 50 mil hectares, e é também importador de petróleo. Por essa razão, os biocombustíveis podem reduzir de forma sensível seus gastos com energia, segundo fontes da delegação costarriquenha.

Durante a reunião, Lula e Arias coincidiram também ao lamentarem o fracasso da Rodada de Doha, na qual os países mais pobres tinham depositado suas esperanças de conseguir, segundo o presidente brasileiro, um comércio "mais justo".

Arias também criticou a decisão da União Européia (UE) de não assinar o acordo alcançado com os países produtores de banana para uma redução gradual de tarifas.

"É lamentável que após se ter chegado a um acordo, uma das partes desconheça o que foi estipulado", disse Arias, que além disso considerou o fracasso da Rodada de Doha e esse desconhecimento de um acordo já anunciado como mostras da "hipocrisia" dos países mais desenvolvidos.

Segundo Arias, a "principal ajuda" necessária aos países mais pobres "é avançar rumo ao livre-comércio", um objetivo que não foi alcançado nas negociações concluídas ontem em Genebra.

Após o encontro com Lula, estava previsto que Arias viajasse para São Paulo, onde amanhã presenciará um fórum empresarial, visitará uma usina de etanol e se reunirá com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

O líder costarriquenho voltará a San José na próxima sexta-feira, onde terá uma série de atividades privadas.

Leia mais sobre: Costa Rica

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.