Lula e premiê português pedem retomada de Doha contra a crise

Rio de Janeiro, 28 out (EFE).- O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e o primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates, defenderam hoje a retomada das negociações para liberalizar o comércio internacional, como saída para a crise financeira.

EFE |

"Agora mais que nunca, é o momento de (retomar a rodada de) Doha (da Organização Mundial do Comércio -OMC) e de desenterrar as negociações comerciais entre o Mercosul e a União Européia", manifestou Lula, no encerramento da 11ª Cúpula Luso-Brasileira, realizada hoje em Salvador.

As negociações da Rodada de Doha para a liberalização do comércio mundial começaram em 2001 e fracassaram em julho, em Genebra, porque os países-membros da OMC não chegaram a um acordo sobre a questão agrícola.

Sócrates coincidiu na análise e ressaltou que se deve "ativar o comércio entre os países com regras mais justas", para que todo o mundo "se possa beneficiar" do desenvolvimento.

O dirigente luso considerou que a atual crise é "das que passam uma vez na vida", por isso que "todo o mundo vai a pagar um preço" e insistiu na necessidade de "dar uma resposta a curto prazo" para restabelecer a estabilidade e dar confiança ao mercado financeiro.

"Não temos o direito moral de deixar igual tudo o que permitiu a crise. O mundo exige uma nova regulação que permita uma globalização mais justa, dando mais representatividade e legitimidade às instituições internacionais", apontou.

Neste processo, o primeiro-ministro insistiu na necessidade de uma reforma das Nações Unidas e assegurou que Portugal considera "essencial" que o Brasil "ocupe seu cargo" com um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU.

Na mesma linha, Lula reiterou que, para enfrentar bem as dificuldades financeiras, "a política deve ocupar seu papel" nas "grandes decisões", como na reunião do G20 que será realizada em Washington nos próximos dias 14 e 15 de novembro.

"A participação do Brasil nesta reunião é a prova de que os países emergentes já não podem ser ignorados. Temos a responsabilidade de defender os países mais pobres, que serão os mais prejudicados", opinou.

Sobre a cúpula de Washington, o presidente brasileiro mostrou-se otimista na tarefa de estabelecer reformas estruturais no sistema financeiro "que faz muito (tempo) que eram necessárias" e assegurou que o Brasil "tem muito o que apresentar".

Lula voltou a atacar o que chamou de "cassino da excessiva especulação" e que "alguns se façam ricos mudando de papéis, sem fazer algo produtivo", além de classificar como "vergonhoso" que bancos importantes, segundo ele, "insistiram em fingir" que a crise não os afetava.

"Sabíamos das (hipotecas) sub-prime desde setembro do ano passado e só agora estão saindo as instituições financeiras afetadas. Se tivessem informado antes de sua situação, podíamos haver tomado medidas antes", disse.

Além de comentar a crise, ambos os dirigentes assinaram um memorando de entendimento para a implementação dos mecanismos de consultas políticas e vários acordos sobre assuntos consulares.

Lula e Sócrates também lideraram um encontro entre empresários dos dois países, que aproveitaram para estreitar suas relações comerciais.

Durante o encontro, a companhia petrolífera estatal Petrobras e a portuguesa Galp assinaram um memorando de entendimento para o desenvolvimento em conjunto de projetos na área de produção e distribuição de biocombustíveis, além de gás natural e geração de energia elétrica.

A empresa de telefonia Portugal Telecom também assinou um convênio para ser a primeira a se instalar em um polígono tecnológico em Salvador, em associação com o Governo da Bahia. EFE mp/jp

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