Lost - Mundo - iG" /

Lula e outros líderes aparecem em animação que parodia Lost

Doze naufrágos são obrigados a sobreviver em uma remota ilha sem comida e, pior, sem poder, mas não é mais um episódio do Lost: aqui, os protagonistas são Hugo Chávez, Cristina Kirchner e Luiz Inácio Lula da Silva, e a série é chamada de Isla Presidencial (Ilha Presidencial, em livre tradução).

EFE |

Passado pouco menos de uma semana do lançamento do primeiro episódio na Venezuela e, com cerca de 150 mil acessos no YouTube, a paródia política já provocou uma revolução no país.

Transformados em personagens de animação, os presidentes da Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, México, Nicarágua, Peru e Venezuela, assim como o Rei da Espanha e o chefe do governo espanhol, se tornarem protagonistas de irônicas e irreverentes cenas.

"Não existe o humor político na maioria dos países da América Latina. Há uma carência disso e, por isso, o público sentiu-se atraído pela nossa série", declara Juan Andrés Ravell, um dos criadores da "Isla Presidencial".

Ele define seu trabalho como "o de um guerrilheiro", com dedicação de incontáveis horas madrugada adentro durante quase um ano, e tudo "por muito pouco dinheiro, em certas ocasiões, até de graça".

O produto tem o selo do "El Chigüire Bipolar", um blog de humor político feito por três jovens venezuelanos: Oswaldo Graziani, Álvaro Mora e Juan Andrés Ravell, filho do ex-diretor da cadeia privada "Globovisión".

A nova "série" começa com o fechamento de uma imaginária 74ª Cúpula de líderes ibero-americanos, quando o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, convida alguns líderes para um passeio em seu iate.

Em meio a goles de bebidas e a festa pelas dependências do barco chega uma terrível tempestade que ameaça naufragar o barco.

No comando, Lula. A sua esquerda, Chávez, e a sua direita nada mais nada menos que seu colega colombiano, Álvaro Uribe. Começa uma briga entre os dois "adversários" latino-americanos. Um quer conduzir o barco, à esquerda, e o outro, à direita. Nenhum dos presidentes se sai bem dessa situação.

Enquanto o líder do "socialismo do século 21" aparece como uma "vedete" nesta particular "novela latino-americana", o presidente boliviano Evo Morales surge como um apaixonado pelo Comandante, a argentina Cristina Fernández de Kirchner, como uma "sex symbol", com o corpo coberto por cocos, e o equatoriano Rafael Correa, como um indomável índio. Nem o Rei da Espanha escapa desse cáustico humor.

"É que temos presidentes muito pitorescos, que nos dão ótima matéria-prima. Cristina, Evo Morales, Chávez são uma joia para a comédia!", exclama Graziani.

Não é a primeira vez que estes amigos venezuelanos realizam um vídeo com estas características. Em 2007, iniciaram junto com a "Sony Entertainment Television" a série de animação "Nada que ver", com um formato muito parecido com a atual, na qual se referiam também a personagens do mundo político.

Foi em seu terceiro episódio, no qual retratavam Michelle Bachelet, a presidente do Chile, com uma mulher carente de sexo. Esse episódio levou ao rompimento do contrato.

"Ficamos com um espinho encravado", comenta Ravell, quem volta à carga com seus companheiros, desta vez na internet, o meio que oferece "maior liberdade" aos criadores. "Até agora não nos chateamos e não podemos dizer nada nesse sentido", assinala.

Seu pai, Alberto Ravell, renunciou há três semanas de seu cargo como diretor da cadeia opositora "Globovisión" em meio a rumores de supostas pressões governamentais.

Por enquanto, utilizam as redes sociais para divulgar a "Isla Presidencial", que já tem mais de 5,5 mil seguidores no Twitter e cerca de 4 mil no Facebook.

A falta de financiamento e a dificuldade para animar cada um dos programas, na Argentina, impedem que haja uma programação exata para o lançamento dos próximos episódios, embora planejem manter uma periodicidade mensal.

O objetivo é fazer três ou quatro capítulos, como o "Lost", tudo pode ocorrer, e não descartarmos incorporar mais líderes. Avanços para o novo episódio só há um: Bachelet, como seu mandato, sairá do show. "Só posso dizer que haverá fome na ilha", conta Ravell.

Leia mais sobre América Latina

    Leia tudo sobre: américa latina

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG