A crise financeira global e formas de contê-la tanto em termos nacionais como transnacionais deverão estar entre os principais temas do encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o líder dos Estados Unidos, Barack Obama, realizado neste momento na Casa Branca, em Washington. A informação foi dada pelo secretário assistente do Departamento de Estado dos EUA, Thomas Shannon, responsável pela região das Américas.

''Certamente, uma parte importante da conversa será sobre um esforço mais amplo (contra a crise), maneiras de contê-la, através de pacotes de estímulo econômico, mas também de forma mais abrangente, através de ações internacionais, ações coordenadas'', afirmou Shannon, durante uma entrevista coletiva no Departamento de Estado, na sexta-feira.

O encontro entre Obama e Lula em Washington se dá poucos dias antes da reunião do G20, em Londres, no dia 2 de abril, que contará com a presença dos dois líderes. Em seguida, os dois presidentes deverão voltar a se encontrar na 5ª Cúpula das Américas, que acontecerá em Trinidad e Tobago, de 17 a 19 de abril.

Para Shannon, encontros multilaterais como estes dois contribuem para a promoção dessa agenda ampla que, segundo ele, está sendo buscada tanto por americanos como por brasileiros.

De acordo com o secretário de Estado assistente, Lula e Obama deverão discutir propostas em comum que poderão ser levadas para Londres, durante o G20.

Entre os temas que poderão ser discutidos neste sábado, em Washington, e que poderão ser retomados e aprofundados em Trinidad e Tobago, estão um possível degelo na relação entre Estados Unidos e Venezuela e um abrandamento às restrições impostas pelo governo americano ao regime de Cuba.

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil já sinalizou que os dois tópicos poderão constar na agenda do encontro. E, até mesmo o líder venezuelano, Hugo Chávez, afirmou publicamente que autorizou Lula a discutir meios de se obter uma aproximação entre Caracas e Washington.

Indagado sobre como via a intermediação do Itamaraty na relação entre americanos e as duas nações latino-americanas, Shannon foi evasivo, mas acrescentou que os Estados Unidos ''apreciam o interesse do Brasil em promover o diálogo construtivo na região''. Esta característica, segundo ele, ''tem sido um importante aspecto da diplomacia brasileira''.

O representante americano disse esperar que ''os brasileiros levantem alguns destes temas conosco e esperamos pela oportunidade de discuti-los com os brasileiros''.

Shannon, no entanto, acrescentou que, para que as discussões com venezuelanos ou cubanos progridam, é preciso que estas nações demonstrem a reciprocidade ao suposto desejo americano de dialogar.

Outro tópico que deverá constar na reunião entre Lula e Obama são os biocombustíveis. O Itamaraty já afirmou que espera avançar a agenda dos bicombustíveis junto aos americanos, mas que desejaria ver o fim das barreiras impostas à entrada da versão brasileira do produto no mercado americano.

O etanol brasileiro, feito à base de cana de açúcar, é considerado mais econômico e menos danoso ao meio ambiente que a versão americana do biocombustível, produzida a partir do milho.

A despeito da suposta vantagem, o biocombustível brasileiro enfrenta uma sobretaxa de US$ 0,54 ao ser importado para os Estados Unidos.

Lula chega a Washington acompanhado do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e do assessor internacional da Presidência, Marco Aurélio Garcia.

A reunião do presidente Lula com Obama começou por volta das 12h (horário de Brasília) e é realizada no Salão Oval da Casa Branca.

Às 13h30, os dois líderes devem dar breves declarações à imprensa brasileira e americana. Por volta de 14h, o presidente seguirá para a residência do embaixador do Brasil em Washington, onde irá almoçar. De lá, deverá seguir às 15h40 para a base de Andrews, de onde seguirá às 16h15 para Nova York.

O presidente não tem agenda prevista para o domingo, mas irá participar de um encontro com empresários americanos e brasileiros na segunda-feira, em Nova York.

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