Lula e Lugo se reúnem para definir acordo sobre Itaipu

Assunção, 24 jul (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva analisará amanhã com o chefe de Estado paraguaio, Fernando Lugo, a oferta brasileira de aumentar os lucros que o país vizinho recebe com a hidroelétrica de Itaipu.

EFE |

Lugo e Lula, que participaram hoje em Assunção da Cúpula do Mercosul, tentarão chegar a um acordo após quase um ano de negociações.

A cópia da proposta brasileira foi entregue ao presidente do Paraguai na quinta-feira e, desde então, os negociadores tentam chegar a um acordo, que pode ser anunciado ainda amanhã.

Embora os detalhes do documento não tenham sido divulgados, o chanceler paraguaio, Héctor Lacognata, o qualificou de positivo.

Informações da imprensa paraguaia apontam que o Brasil permitiria ao Paraguai comercializar livremente, de maneira gradual, com distribuidores brasileiros a parte da energia de Itaipu que não utiliza.

O tratado da represa prevê que cada país tem direito a 50% da energia produzida e que a eletricidade não utilizada deve ser vendida ao sócio a preço de custo.

O Paraguai abastece quase todas suas necessidades com 5% da eletricidade e vende o resto à Eletrobrás, mas exige liberdade para comercializar essa energia até com outros países e a preços de mercado.

Lugo fez alusão hoje em coletiva de imprensa após a Cúpula do Mercosul a notícias que indicam que o Brasil também ofereceu aumentar de US$ 120 para US$ 360 milhões a compensação anual recebida pelo Paraguai pela concessão da energia que não utiliza.

"Os números não estão fechando" e "há derivações jurídicas" da proposta que os técnicos paraguaios continuam analisando, expressou o presidente.

O presidente de Itaipu no Brasil, Jorge Samek, explicou à Agência Efe nesta quinta-feira que a proposta feita por seu país terá que ser previamente submetida à aprovação do Congresso.

Segundo ele, a forma gradual como o Paraguai poderá vender sua energia a clientes brasileiros diferentes da estatal Eletrobrás ainda demorará porque terá que ser objeto de negociações técnicas e ratificada pelo Congresso brasileiro.

A renegociação do Tratado de Itaipu, que segundo o Brasil não pode ser modificado até sua data de vencimento, em 2023, foi uma das principais bandeiras na campanha eleitoral que levou Lugo ao poder no Paraguai.

Lula e Lugo discutiram pela última vez suas diferenças em maio passado, durante uma visita do presidente do Paraguai a Brasília que terminou sem nenhum acordo. EFE rg/rr

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