Lula e Lugo se encontram sob forte esquema militar

Os dois mandatários devem abordar temas bilaterais, como segurança na fronteira e Itaipu

iG São Paulo |

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, receberá nesta segunda-feira em Ponta Porã (MS), na fronteira com Pedro Juan Caballero, o presidente paraguaio, Fernando Lugo. A pauta do encontro abrange desde acordos energéticos de Itaipu até a violência na região da fronteira.

O encontro privado está previsto para começar por volta das 10h desta segunda nas proximidades da cidade paraguaia de Pedro Juan Caballero, capital do departamento (Estado) de Amambay, onde na semana passada o senador Robert Acevedo sofreu um atentado. Quatro brasileiros foram detidos sob suspeita de terem disparado mais de 40 tiros contra o parlamentar durante a ação, na qual morreram duas pessoas.

O porta-voz da Presidência brasileira, Marcelo Baumbach, disse que Lula pretende mostrar a Lugo sua solidariedade e oferecer toda a cooperação possível, embora tenha esclarecido que para o Brasil essa situação é de "natureza interna" do Paraguai.

Estado de exceção

Pedro Juan Caballero é capital do departamento (Estado) paraguaio de Amambay, uma das cinco regiões do país em que rege o estado de exceção decretado pelo governo Lugo para conter uma onda de violência atribuída à guerrilha do chamado Exército do Povo Paraguaio (EPP).

Segundo a Promotoria paraguaia, o EPP é um grupo desprendido do Partido Pátria Livre (PPL) e poderia ter relações até com o Primeiro Comando da Capital (PCC), controlado por presos em São Paulo.

Itaipu

Na reunião desta segunda, Lula e Lugo também farão uma avaliação dos acordos alcançados em 25 de julho de 2009 dentro das negociações sobre a divisão de energia da hidroelétrica de Itaipu, de propriedade compartilhada pelos dois países.

O porta-voz de Lula antecipou que um dos assuntos que serão colocados será a oferta brasileira de construir uma linha de transmissão de 500 quilowatts entre Itaipu e Assunção. O preço da obra tinha sido fixado inicialmente em US$ 250 milhões, que seriam financiados totalmente pelo Brasil.

Baumbach disse que agora se pretende que as obras, cujo custo situou entre US$ 350 e 400 milhões, sejam financiadas pelo Fundo de Convergência Estrutural do Mercosul (Focem), bloco que ambos os países integram junto com Argentina e Uruguai.

Isso significa que o projeto precisa ser aprovado pelos quatro países, embora, segundo disseram fontes oficiais, o Brasil poderia facilitar o trâmite e apresentar a maioria ou até o total do dinheiro, através de contribuições especiais do Focem.

O chanceler paraguaio, Héctor Lacognata, disse desconhecer a proposta brasileira de mudar o modo de financiamento da obra, mas assegurou que a construção da linha de transmissão começará em breve. Lacognata também reiterou a confiança do governo paraguaio de que o Brasil vai honrar o compromisso de 25 de julho.

* Com EFE

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