Lula e Cristina voltam a se reunir para discutir interesses comuns

Buenos Aires, 22 abr (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reunirá nesta quinta-feira em Buenos Aires com sua colega argentina, Cristina Fernández de Kirchner, para revisar uma ampla agenda de interesses comuns que parece deixar os conflitos comerciais em segundo plano.

EFE |

A reunião de Lula e Cristina coincide com uma queda do comércio bilateral e com o interesse da Argentina em desenvolver sua indústria aeronáutica em sociedade com a estatal brasileira Embraer.

Além disso, a preocupação argentina com o projeto brasileiro de construir uma represa no rio Iguaçu, que faz fronteira entre ambos os países, aparece como o ponto mais conflituoso de uma agenda oficial que inclui assuntos como integração energética, cooperação judicial e promoção do comércio com moeda local.

Os chefes de Estado também devem falar sobre os avanços em acordos de integração ferroviária, assim como nos de cooperação na área farmacêutica e nos de desenvolvimento de tecnologias de satélites.

Nos últimos 30 dias, Lula e Cristina realizaram cinco reuniões.

Em janeiro passado, a Argentina pediu relatórios ao Brasil sobre o projeto de construção da usina hidrelétrica de Baixo Iguaçu, logo acima dos parques nacionais dos dois países que protegem as Cataratas do Iguaçu.

O Brasil possui dezenas de represas na bacia do Iguaçu, motivo pelo qual os argentinos temem que o novo projeto provoque grandes danos ecológicos.

Também se destaca a intenção de promover na reunião o comércio em moeda local entre as pequenas e médias empresas, em substituição ao dólar, mecanismo que Brasil e Argentina iniciaram no ano passado.

O comércio entre Argentina e Brasil alcançou no ano passado a marca histórica de quase US$ 30 bilhões, mas as vendas sofrem agora o impacto da crise global e os empresários argentinos ressuscitaram suas reivindicações de proteção.

Pela primeira vez em mais de quatro anos, o Brasil teve em março deste ano prejuízo na balança comercial com a Argentina, calculado em US$ 20 milhões por autoridades brasileiras.

Lula, que chega hoje à noite em Buenos Aires, destacou que as relações políticas com a Argentina "jamais viveram um momento tão excepcional" desde que os dois países iniciaram o processo de integração bilateral, em 1986.

"Não posso imaginar Argentina e Brasil separados", assegurou o presidente em entrevista publicada no domingo passado pelo jornal argentino "La Nación". EFE alm/bba

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