Lula e Colom defendem negociações para acordo entre Mercosul e Sica

Eduardo Davis Brasília, 4 abr (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu colega guatemalteco, Álvaro Colom, defenderam hoje a retomada das negociações para um acordo de livre-comércio entre o Mercosul e a América Central, estagnadas há uma década.

EFE |

Durante um almoço oferecido a Colom em Brasília, Lula declarou que "no próximo mês, em El Salvador, teremos a oportunidade de dar um passo definitivo para tornar essas aspirações realidade".

O presidente confirmou sua participação como convidado na cúpula centro-americana que acontecerá em maio em El Salvador, e assegurou que insistirá em um acordo entre o Mercosul e o Sistema de Integração Centro-Americano (Sica).

As primeiras conversas para um possível acordo entre o bloco, formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, e o Sica (Honduras, Guatemala, Nicarágua, El Salvador e Panamá) aconteceram em 1996, e desde então houve esporádicas tentativas de resgatá-las, mas não se passou do terreno das declarações de intenção.

Lula assegurou que, em função dos diferentes tamanhos das economias de todos esses países, "é preciso fazer o necessário para tentar corrigir as assimetrias entre os dois blocos", e ressaltou que o importante agora é "avançar".

Colom afirmou que o momento para essas negociações é propício, pois a maioria dos países da América Latina "começou a olhar para o sul", e citou como exemplo a Guatemala, que "olhou muito para o norte", mas que agora tem "outra bússola", que aponta para o resto da América Latina.

"É o momento de construir uma América Central forte e também uma América Latina forte", declarou o governante guatemalteco.

Colom disse ainda que ficou muito satisfeito com as conversas que teve com os diretores da Petrobras, que tem interesse em participar da prospecção e extração de petróleo na Guatemala.

"Foi falado de um possível investimento da Petrobras, cujos montantes serão definidos após uma visita do pessoal técnico", afirmou Colom.

O Brasil também ofereceu sua experiência na produção de biocombustíveis e, em particular, de etanol.

"A Guatemala é o quarto maior produtor de açúcar do mundo e tem um enorme potencial para desenvolver etanol com a ajuda do Brasil", disse Colom, que indicou que ainda seu país tem "muitas frutas" das quais seria possível obter combustíveis com a tecnologia brasileira.

Segundo Lula, a cooperação que o Brasil pretende estabelecer com a Guatemala "será o modelo da qual será desenvolvida a com toda América Central", e significará a criação de várias "oportunidades para o comércio e os negócios".

Brasil e Guatemala assinaram seis acordos bilaterais nas áreas de energia, saúde, cultura, gestão bancária e desenvolvimento social, um ponto no qual os dois governantes mostraram uma particular sintonia.

Em seu discurso, Colom elogiou as políticas de luta contra a pobreza desenvolvidas no Brasil durante o Governo Lula e disse que todos os governantes latino-americanos devem entender que "ao investir nos pobres e nos marginalizados, se investe em todos".

O presidente guatemalteco comemorou o resultado da sua primeira visita oficial a um país da América do Sul, cuja última atividade foi o almoço com Lula.

"Dizem que do limão se faz a limonada. Posso assegurar que teremos muita limonada desta visita", declarou. EFE ed/mh

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