Lula e Chávez reforçam acordos de cooperação bilateral

Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Hugo Chávez reforçaram seus acordos de cooperação, com a assinatura, nesta sexta-feira, perto de Maracaibo (oeste da Venezuela), de 12 acordos nos setores agrícola, energético, industrial e alimentar.

AFP |

A reunião bilateral, um de seus encontros trimestrais, aconteceu no Complexo Socialista "Ciudad Laberinto", um dos exemplos da economia socialista criado pelo governo Chávez em diferentes regiões do país.

Os dois presidentes começaram a agenda do encontro visitando uma fábrica de produção de leite, à qual o Brasil forneceu gado e tecnologia, além de um cultivo de tomates dentro da "Ciudad Laberinto", antes da assinatura dos documentos.

Os acordos firmados prevêem a ajuda brasileira à Venezuela para a construção de dois frigoríficos e para a instalação de um centro de processamento de frutas tropicais, que incluirá o compromisso de capacitação para o pessoal venezuelano.

Também está prevista a venda de combustível por parte da Venezuela para o Brasil.

A Venezuela se comprometeu a fornecer dois carregamentos mensais de 240 mil barris de petróleo e outro de 120 mil barris de gasolina natural, em 2009, assim como um envio mensal de 240 mil barris de combustível de aviação.

Firmou-se ainda um convênio para a construção de fábricas de fertilizantes na Venezuela e se renovou um acordo para o fornecimento de 660 mil toneladas métricas anuais de coque.

"A Venezuela está construindo um grande depósito de alimentos que dará segurança a seu povo. O acordo com a Venezuela é que o Brasil está disposto a transferir nossa tecnologia de revolução agrícola dos anos 1960, para que a Venezuela faça sua revolução agrícola", afirmou Lula.

"Nossa unidade não se traduz apenas em discursos que, no fim do tempo, se esgotam. A unidade se concretiza nessas coisas; nossos discursos estão se transformando em riqueza, em melhoria da qualidade de vida do povo", afirmou Lula.

Os dois presidentes apostam em uma maior integração, com a entrada da Venezuela no Mercosul, como sócio pleno, o que ainda depende, contudo, da aprovação dos Senados de Brasil e Paraguai.

Nesse sentido, Lula disse estar confiante em que o Senado brasileiro dará seu sinal verde para o ingresso do país vizinho no bloco, em março.

"Essa é uma excelente notícia, que merece o aplauso dos venezuelanos", comemorou Chávez, acrescentando que, "se nós, sem termos ingressado formalmente no Mercosul, levamos a relação bilateral até esse nível e continuamos a fortalecê-la, como será quando formos membros plenos do Mercosul!".

Apesar de o intercâmbio comercial bilateral aumentar em 2008 pelo quinto ano consecutivo e avançar 12%, situando-se em quase 5,7 bilhões de dólares, a balança é desfavorável à Venezuela, que importou bens no valor de 5,1 bilhões de dólares nesse intercâmbio total, segundo dados da Federação da Câmara de Comércio Brasil-Venezuela.

"Estou a favor de um maior equilíbrio na balança comercial", enfatizou Lula.

"Estamos num bom caminho. As coisas não acontecem com a rapidez que gostaríamos, mas, pela primeira vez, os governantes da América Latina se deram conta de que sozinhos somos fracos", acrescentou Lula.

"Cumpre-se o que disse Bolívar quando recebeu o primeiro embaixador do Brasil na Grande Colômbia, em 1830, pouco antes de morrer: 'O Brasil vai se converter algum dia no maior avalista da continuidade de nossa nascente república'", disse Chávez.

O presidente venezuelano reafirmou a boa relação que o une a seu colega brasileiro e refutou os rumores de importantes diferenças entre ambos.

"Antes, tentavam nos igualar e, agora, nos diferenciam, dizendo que Lula é a esquerda, e Chávez, a esquerda má", explicou.

Lula chegou na quinta-feira à noite à base aérea General Rafael Urdaneta, em Maracaibo, procedente da Bolívia, onde havia se reunido com Evo Morales.

O presidente brasileiro decolou hoje, de volta para o Brasil, às 19h15 (21h45 de Brasília). Lula, que estava acompanhado de vários ministros e de um grupo de empresários, despediu-se de Chávez, com honras, no aeroporto de Maracaibo (500 km ao oeste de Caracas).

rsr-bl/cn/tt

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