Lula e Chávez conversam sobre bases militares dos EUA na Colômbia

Caracas, 30 jul (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governante da Venezuela, Hugo Chávez, conversaram na quarta-feira sobre as atuais divergências registradas na América Latina, informou o Ministério de Comunicação venezuelano em comunicado.

EFE |

A nota explicou que Chávez conversou com Lula sobre "o perigo e a ameaça que representa a tentativa de colocar bases militares dos Estados Unidos na Colômbia", e detalhou as medidas que o "Governo foi obrigado a tomar para garantir a paz e a estabilidade na região".

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, anunciou na quarta-feira que o Brasil está disposto a trabalhar para "recompor" a confiança entre Venezuela e Colômbia, após considerar positivo que o Governo de Álvaro Uribe "diga transparentemente de que se trata" o acordo militar que negocia com os EUA.

Hoje, a Venezuela disse aos povos e Governos da região que ainda há "tempo de deter a loucura de guerra da elite que governa a Colômbia" e evitar que sua "política belicista" transforme a América do Sul "em uma área de violência".

A posição está refletida em comunicado do Ministério das Relações Exteriores, no qual também se adverte que a Venezuela "responderá com medidas firmes a cada agressão do Governo colombiano".

"O Governo colombiano, retirando suas próprias responsabilidades, quer justificar a instalação em seu território de até cinco bases militares da principal potência bélica mundial, alegando que três lança-foguetes supostamente propriedade do Exército venezuelano teriam chegado às mãos de um grupo irregular", diz o comunicado.

Colômbia e Estados Unidos negociam um acordo para que o país da América do Norte use as bases militares colombianas, após a não renovação do contrato que os EUA tinham para operar a de Manta, no Equador.

"Como de costume, o Governo colombiano não explica como circulam em seu território milhares de armas nas mãos de grupos irregulares, mas exige cinicamente ao da Venezuela para explicar a origem de três delas", acrescenta a Chancelaria.

A Venezuela considera que o acordo militar entre EUA e Colômbia deveria ser tratado na Organização dos Estados Americanos (OEA), entre outras instâncias internacionais, segundo o embaixador venezuelano em Bogotá, Gustavo Márquez.

O diplomata fez a declaração em entrevista divulgada pelo canal estatal "Venezolana de Televisión", em resposta ao pedido do secretário-geral do órgão, o chileno Juan Manuel Insulza, para que as diferenças entre Caracas e Bogotá fossem resolvidas através do diálogo.

Márquez disse que o enfoque de Insulza "é errado" porque a presença de mais militares americanos em novas bases colombianas "afeta todos os países da região, não só a Venezuela".

"Nossa esperança é que o tema comece a ser tratado em organismos como a Unasul (União de Nações Sul-americanas), o Grupo do Rio, a OEA, porque assim que for assinado o acordo, a relação nunca poderá ser igual", afirmou o embaixador venezuelano. EFE rr/db

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG