Lula e Chávez aceleram integração, mas admitem frustração na área petrolífera

Carlos A. Moreno.

EFE |

Salvador, 26 mai (EFE).- Brasil e Venezuela anunciaram hoje que vão acelerar a integração bilateral para agilizar a entrada do segundo país no Mercosul, em reunião na qual os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Hugo Chávez não esconderam sua "frustração" pela falta de acordos na área petrolífera.

Os dois líderes, que foram até Salvador para sua sexta reunião trimestral, acertaram o estabelecimento de um cronograma de liberalização do comércio bilateral no âmbito da adesão da Venezuela ao Mercosul, que ainda depende da ratificação dos Congressos de Brasil e Paraguai.

O documento é um calendário de eliminação de tarifas entre Venezuela e Brasil, que inclui prazos, setores e metas a serem cumpridas até que o livre-comércio entre os dois países seja instituído.

A Venezuela ainda terá que assinar acordos similares com os outros três membros plenos do bloco (Argentina, Paraguai e Uruguai).

Segundo Lula, a falta desse acordo era um dos motivos que freava a aprovação no Congresso brasileiro do protocolo de adesão da Venezuela ao Mercosul, assinado em 2006.

"Um dos maiores questionamentos era que a Venezuela não tinha acordado um cronograma de eliminação de tarifas na área comercial.

Agora temos um problema a menos a para resolver. Espero que o Senado aprove a adesão da Venezuela antes da minha próxima reunião com Chávez em Caracas, para que possamos comemorá-la", disse Lula.

Chávez destacou que o documento aprovado reconhece as diferenças entre a economia brasileira e a venezuelana, e que mostra o respeito do Brasil pelo processo de desenvolvimento de seu país.

"O Brasil não vê a Venezuela como um mercado a ser inundado de produtos de todo tipo", disse o governante venezuelano.

Os presidentes também manifestaram o desejo de fazer a integração avançar ao máximo antes do fim do mandato de Lula, que irá entregar o cargo em 1º de janeiro de 2011.

"Restam umas cinco reuniões trimestrais. Temos que apressar o passo", declarou Chávez.

"O momento exige que andemos mais rápido, já que estamos diante de uma crise da qual não temos culpa", acrescentou Lula, que disse que antes do fim de seu mandato deseja participar da inauguração de obras dos projetos já estipulados, alguns deles assinados hoje em Salvador.

Entre esses acordos, destacam-se um que prevê a participação da Queiroz Galvão na construção da hidroelétrica venezuelana Las Cuevas e a associação da Braskem com a venezuelana Pequiven numa petroquímica na Bahia Em outro projeto, a Odebrecht e a petrolífera venezuelana PDVSA criarão uma empresa de prestação de serviços em construções.

Além disso, foi assinado um memorando para o desenvolvimento de projetos binacionais com a participação do BNDES, que já tinha dito que avalia liberar US$ 4,3 bilhões em créditos para projetos de empresas brasileiras na Venezuela.

Apesar do clima de otimismo, Lula e Chávez, numa reunião a portas fechadas, admitiram que estão frustrados com a falta de acordos nas negociações entre a Petrobras e a PDVSA.

As duas empresas fixaram hoje um novo prazo de 90 dias para que resolvam suas divergências em torno da construção de uma refinaria no estado brasileiro de Pernambuco e para definir a participação da Petrobras nos consórcios que exploram a Faixa de Orinoco na Venezuela.

Em entrevista coletiva, Lula e Chávez disseram que esperam que o prazo seja suficiente. Mas, horas antes, numa conversa privada ouvida pela imprensa, ambos se disseram frustrados com a falta de acordos.

"Confesso minha frustração, mas a culpa é de ambos os países, que não foram capazes de chegar a um acordo", disse Chávez ao se referir às negociações iniciadas em 2005. EFE cm/sc

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