Lula e Berlusconi proporão ao G20 uma economia menos especulativa

Roma, 11 nov (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, anunciaram hoje que proporão a criação de uma economia baseada mais na produção e menos na especulação, durante a reunião que o G20 realizará no próximo sábado em Washington.

EFE |

Lula e Berlusconi tiveram hoje em Roma um almoço de trabalho, após o qual ambos constataram em entrevista coletiva a "sintonia" que de ambos os Governos sobre a reunião do G20 (grupo integrado por países desenvolvidos e emergentes) na qual se buscará uma saída à atual crise financeira mundial.

Além deles, participaram do almoço cinco jogadores (Ronaldinho Gaúcho, Pato, Kaká, Emerson e Dida) e um ex-jogador (Leonardo, atualmente dirigente) do Milan, clube do qual Berlusconi é proprietário.

O presidente brasileiro declarou-se "otimista" sobre a cúpula, apesar de indicar que não se devem esperar soluções imediatas, já que a reunião "será o começo de um longo caminho".

Berlusconi compartilhou desse ponto de vista ao assinalar que a reunião do G20 em Washington "não será um encontro resolutivo, mas constituirá um primeiro passo para um sistema financeiro com mais regras".

Para Lula, um dos principais objetivos dessa reunião será "evitar uma crise de pânico", meta na qual se mostrou de acordo Berlusconi, pois o medo "leva à crise da economia real ao criar uma opinião pública pessimista".

Segundo Lula, a crise tem que ser superada "investindo no setor produtivo, não no especulativo", uma visão que reforçou o primeiro-ministro da Itália a afirmar que as propostas ao G20 devem buscar controlar o sistema financeiro.

Por esse motivo, Berlusconi disse que proporá que "os bancos garantam os empréstimos às empresas" e que se limitem "a sobrevalorização e a desvalorização das empresas por parte do sistema financeiro".

Além disso, Berlusconi anunciou que pedirá que se achem "controles responsáveis sobre os bancos que os impeçam, por exemplo, de realizar negócios 20 vezes superiores à sua capacidade financeira".

Toda essa visão exposta na entrevista coletiva aparece também em uma declaração conjunta dos dois chefes de Estado, na qual asseguram que, "corroboram a exigência de trabalhar de forma coordenada para definir um novo sistema financeiro internacional mais transparente e caracterizado por regras e controles mais convincentes".

Esse sistema financeiro deve, segundo o texto, estar a serviço do "crescimento sustentado e do desenvolvimento".

Lula resumiu sua receita particular para sair da crise em "mais desenvolvimento, mais trabalho e mais ocupação", acompanhado de "mais transparência e mais responsabilidade".

Tanto Lula como Berlusconi ressaltaram, além disso, as boas relações que mantêm seus países e "a vontade" de ampliar a cooperação econômica, com uma troca comercial que alcança US$ 8 bilhões.

Essa vontade de estreitar as relações se refletiu nos seis acordos para desenvolvimento, pesquisa e aprofundamento das relações entre os Governos assinados por seis ministros de cada Executivo antes de começar a entrevista coletiva.

Antes de encontrar Berlusconi, Lula assistiu a uma reunião com representantes dos principais sindicatos italianos, aos quais afirmou que a primeira conseqüência da atual crise foi a eleição de Barack Obama à Presidência dos Estados Unidos.

Lula, além disso, opinou que a atual crise mostra "a face mais perversa da globalização", já que afeta a economia real e as empresas multinacionais "despedem operários no mundo todo, apesar de a situação nascer da anarquia dos mercados e não por culpa da economia real". EFE alg/jp

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