Lula e Bachelet pedem união na América do Sul em momentos de crise

São Paulo, 30 jul (EFE).- O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e a do Chile, Michelle Bachelet, pediram hoje aos países vizinhos que unam esforços e assumam um papel de liderança em momentos de crise como o atual.

EFE |

"Governamos o século XXI entre todos ou não governa ninguém.

Reagimos bem diante da crise", afirmou Bachelet, no encerramento de um seminário empresarial em São Paulo, junto com Lula.

A governante disse que a região "tem uma oportunidade sem precedentes para influir na direção da mudança global", mas que, "para isso, necessitamos ajustar nossa forma de trabalho, pois essa também foi a crise das ideias e o debate não é só financeiro".

Lula afirmou que o Chile e o Brasil "demonstraram frente à crise econômica que estavam preparados para essa grande adversidade, porque fizeram outra aposta", na produção econômica e na integração.

"É preciso apostar em ganhar dinheiro, mas produzindo, não em loterias mágicas", afirmou.

Durante o encontro com empresários, Lula qualificou como "uma vergonha" o nível dos investimentos do Brasil no Chile, pois por cada dólar investido no país, os chilenos põem quatro no mercado brasileiro.

O comércio bilateral se quadruplicou entre 2000 e 2008, até alcançar os US$ 9 bilhões no último ano. Além disso, o Brasil é o quarto parceiro comercial do Chile, que, por sua vez, é o segundo mercado dos brasileiros na América Latina.

Bachelet destacou, no entanto, a "vitalidade" da relação bilateral, baseada na "clareza das regras do jogo de um país sério como o Chile e da maior rede de acordos internacionais no mundo", que possui seu país, com 56 tratados bilaterais e um mercado potencial de 4 bilhões de pessoas no planeta.

Além disso, Lula agradeceu a Bachelet por seu papel no cancelamento do embargo à carne brasileira que tinha sido imposto pelo Chile.

No âmbito regional, os dois líderes solicitaram uma reunião da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), para estabelecer uma posição conjunta na cúpula das nações unidas sobre a mudança climática, prevista para dezembro, em Copenhague.

"Os países ricos têm que mudar seu modelo de consumo e costumes, porque nós estamos dispostos a sequestrar carbono e criar um fundo, mas que isso esteja acompanhado do compromisso de diminuição da emissão de gases por parte dos países ricos", afirmou Lula.

Os dois governantes reiteraram sua condenação ao golpe de Estado que tirou do poder o presidente hondurenho, Manuel Zelaya, e pediram o restabelecimento da ordem democrática no país centro-americano.

Além disso, expressaram sua preocupação pela possível instalação de bases militares americanas na Colômbia e pediram uma reunião do Conselho de Defesa Sul-americano, paralela à cúpula da Unasul, que será realizada no dia 10 de agosto, em Quito.

O Chile ratificou o apoio para que o Brasil ocupe um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU e, em entrevista coletiva depois do seminário, Lula reiterou o respaldo brasileiro para a reeleição de José Miguel Insulza como secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA).

A construção do corredor bioceânico Santos-Iquique, entre ligará os dois países e que passará pela Bolívia, foi outro dos temas abordados durante o encontro, no qual se assinaram três convênios de previdência social, outro para facilitar o envio de mercadorias de pequenas empresas e um sobre as alfândegas.

Na entrevista coletiva, Lula manifestou sua disposição para facilitar a extradição do Chile do guerrilheiro Mauricio Hernández Norambuena, condenado no Brasil pelo sequestro do publicitário Washington Olivetto, mas os dois líderes admitiram que existe ainda um vazio jurídico para acelerar esse processo.

O Brasil constitucionalmente só autoriza a extradição se as penas impostas ou futuras do acusado no país que o recebe não forem superiores a 30 anos, o máximo contemplado pela Justiça do país.

Lula e Bachelet falaram até de futebol, mais especificamente sobre a possibilidade de trocar as datas da Copa América de 2015, no Brasil, e de 2019, no Chile, a pedido da líder chilena. EFE wgm/pd

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