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Lula diz que situação no Haiti é pior do que imaginava

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira, durante visita ao Haiti, que a situação no país caribenho, que foi devastado por um terremoto no último dia 12 de janeiro, é mais grave do que imaginava.

BBC Brasil |

As declarações foram feitas depois de Lula, acompanhado pelo presidente haitiano, René Préval, e pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, ter sobrevoado os bairros afetados da capital Porto Príncipe.

Lula disse que o Brasil "já tem feito uma política de solidariedade muito forte" para com o país caribenho, mas que irá fazer "muito mais".

"Depois de ver com meus próprios olhos o que está acontecendo, iremos fazer muito mais. As coisas no Haiti são mais graves do que a gente imaginava", disse.

Durante a visita, o presidente ainda sugeriu que os credores internacionais perdoem toda a dívida externa do país, que segundo ele, chega a US$ 1,3 bilhão.

"Eu disse ao presidente Préval que agora precisamos fazer uma gestão junto a todos os credores do Haiti, o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional", disse o presidente brasileiro durante visita à base militar brasileira em Porto Príncipe.

"O Haiti tem um dívida de US$ 1,3 bilhão e é preciso agora que o mundo dê demonstração de que quer ajudar de verdade, anistiando essa dívida", disse.

Ainda de acordo com o presidente brasileiro, o perdão da dívida não vai resolver a necessidade "imediata" do país, mas vai "permitir que o Haiti seja credenciado para restabelecer linhas de crédito".

'Subordinação'

O presidente Lula disse ainda que o Brasil vai se "subordinar" à orientação do governo haitiano durante o processo de reconstrução do país.

"Nós nos subordinaremos à orientação do governo do Haiti. É o Haiti que tem que dizer o que quer que a gente faça e como a gente faça. Não é sair do Brasil e chegar aqui e fazer as coisas do jeito que quisermos", disse Lula.

A mesma mensagem já havia sido dada por Lula durante seu discurso, na terça-feira, durante a Cúpula das Américas e do Caribe, no México.

O governo brasileiro tem demonstrado preocupação de que outros países da região interfiram no processo político haitiano durante a reconstrução do país. "Esse país tem um governo legitimamente eleito pelo voto popular e tudo será feito pelo governo", acrescentou.

O presidente Préval disse que seu governo decidiu suspender a ideia de instalar os desabrigados pelo terremoto em acampamentos no interior do país.

"Percebemos que as pessoas não aceitam se deslocar", disse Préval, referindo-se à estratégia, adotada logo após o terremoto, de estimular a migração de desabrigados. De acordo com o presidente do Haiti, a prioridade agora são os abrigos e a retirada de entulho.

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