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Lula diz que restrições da UE são perseguição odiosa

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou, durante a reunião de cúpula do Mercosul, as novas regras aprovadas pela União Européia para restringir a imigração. Continuaremos prestigiando os canais de participação da sociedade civil e favorecendo a livre circulação de homens e mulheres quando, no outro lado do oceano, desencadeia-se odiosa perseguição aos latino-americanos, muitas vezes cercada de conteúdos racistas, disse Lula, em discurso que marcou o início da presidência rotativa do bloco pelo Brasil.

BBC Brasil |

As declarações foram interpretadas como uma mensagem à União Européia (UE), poucos dias depois que o Parlamento Europeu aprovou medida que limita a imigração e prevê prisões e expulsões para imigrantes ilegais.

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, informou que os países da chamada Unasul (União das Nações da América do Sul) vão recorrer da medida adotada na Europa na Organização das Nações Unidas (ONU).

"Vamos chamar a atenção para o tema na Assembléia Geral da ONU e talvez também no Conselho de Direitos Humanos, também da ONU. Temos ações variadas sendo analisadas", afirmou.

"O assunto precisa de análise jurídica. O que eles usam é o mesmo termo que se usou para terroristas na época do IRA, quando até crianças eram detidas."
Declaração conjunta
Nesta 25ª Reunião de Cúpula do Mercosul, realizada na cidade de San Miguel de Tucumán, na província argentina de Tucumán, os presidentes divulgaram declaração conjunta "rejeitando" a nova política de imigração da União Européia.

O chanceler brasileiro já tinha sugerido a palavra "rejeição" no lugar de "preocupação" com a iniciativa européia. Nesta terça-feira, durante a reunião dos chefes de Estado, o presidente da Bolívia, Evo Morales, propôs ainda que a palavra "rejeição" fosse para abertura do texto e que não ficasse no segundo parágrafo como estava originalmente.

O presidente Lula fez as declarações pouco depois de os líderes do Uruguai, Tabaré Vázquez, da Bolívia, Evo Morales, do Chile, Michelle Bachelet, e da Argentina, Cristina Kirchner, também criticarem a medida - os discursos foram transmitidos ao vivo pelo canal oficial argentino, canal 7.

"O Chile, como seus sócios do Mercosul, também condena a medida imigratória da União Européia porque ela pode afetar os direitos humanos. Nossos países foram muito generosos com os europeus no passado e agora não é justo que nossa gente receba esse tratamento discriminatório e devemos pedir um tratamento justo para nossos imigrantes", disse a presidente do Chile, Michelle Bachelet.

O líder boliviano Evo Morales também atacou com as medidas dizendo que os imigrantes latino-americanos só querem "trabalhar" em solo estrangeiro.

"A nossa região esteve aberta para eles (europeus) e eles, muitas vezes, saquearam nossos recursos naturais e agora aprovam essa medida", disse Morales.

"Nossos imigrantes que embarcam para a Europa não são donos de minas, só querem trabalhar. Não estão explorando europeus. Estão lá cuidando de anciãos para receber 1,2 mil euros por mês."
Cristina fez discurso na mesma linha, lembrando que três dos seus quatro avós são espanhóis.

"A Argentina foi um país receptor de imigração, quando a fome matava na Europa e levou que milhares chegassem aqui", declarou.

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