Brasília, 19 dez (EFE).- O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, disse hoje que confia em normalizar as relações com o Equador, estremecidas pela tentativa de Quito não pagar uma dívida de US$ 243 mil ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), através de um diálogo de alto nível.

Em um café da manhã com jornalistas, Lula afirmou ter combinado com o presidente do Equador, Rafael Correa, que esse diálogo se dê através dos ministérios das Relações Exteriores e Fazenda de ambos os países e não "pela imprensa", a fim de "evitar mal entendidos".

Lula, no entanto, não esclareceu quando voltará a seu posto o embaixador do Brasil em Quito, Antonino Marques Porto, chamado a consultas há um mês após a decisão de Correa de apelar à Justiça internacional para não pagar a dívida.

"Deixaremos passar o Natal, o Ano Novo, e já falaremos", afirmou Lula, lembrando que o Governo do Equador se comprometeu a pagar uma segunda parcela da dívida, que vence em 29 de dezembro.

Com o crédito do BNDES foi financiada a hidroelétrica de San Francisco, construída no Equador pela empreiteira brasileira Odebrecht, que foi inaugurada em meados de 2007 e deixou de funcionar em junho passado devido a erros estruturais.

O Equador responsabilizou a construtora por esses danos, expulsou-a do país, e recorreu à Corte Internacional de Arbitragem da Câmara de Comércio Internacional contra o crédito do BNDES.

Segundo Lula, o banco "não tem nada a ver" com o assunto, mesmo se a represa tiver deixado de funcionar, como sustenta o Equador, por má execução da Odebrecht.

O presidente brasileiro também rejeitou que a crise com o Equador seja semelhante à que o Paraguai tem com o Brasil em relação aos preços da eletricidade que gera a hidrelétrica de Itaipu, uma hidroelétrica cuja propriedade é compartilhada pelos dois países.

"Com o Paraguai se criou um grupo de trabalho" que tentará chegar a um acordo através do diálogo, assegurou Lula, que evitou comparações com o caso do Equador.

Em relação a Itaipu, o Governo do Paraguai quer mudar o tratado que estabelece que cada país tem direito a 50% da eletricidade gerada e que a energia não usada deve ser vendida ao outro sócio por um preço fixo.

Cerca de 90% da demanda paraguaia são preenchidos com apenas 5% da produção de Itaipu e o resto é vendido ao Brasil, que paga cerca de US$ 300 milhões anuais, número que, segundo o Paraguai, deveria estar próximo aos US$ 2 bilhões.

O Paraguai também aspira a poder vender eletricidade a terceiros países, o que o Brasil nega, atendo-se ao tratado, que não pode ser modificado até seu vencimento, em 2023. EFE ed/jp

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