RIO DE JANEIRO - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lamentou, nesta terça-feira, as mortes provocadas pela repressão aos manifestantes que protestam contra uma suposta fraude eleitoral no Irã. Além disso, o líder brasileiro disse que o povo iraniano não pode se transformar em vítima da irresponsabilidade de agentes políticos.

"Há uma oposição que não se conforma (com o resultado das eleições). O resultado desse conflito são inocentes morrendo, o que é lamentável e inaceitável por parte de qualquer democrata do mundo", afirmou o governante em declarações a jornalistas no Rio de Janeiro.

"Agora, ou a justiça iraniana (intervém), ou o governo e a oposição se sentam e param o conflito, ou há novas eleições, ou se deixa como está, mas o povo não pode continuar sendo vítima da irresponsabilidade dos agentes políticos do Irã", acrescentou.

Até agora, os protestos e confrontos no Irã deixaram pelo menos 20 mortos, segundo os números oficiais.

Nesta terça, Lula reiterou as declarações que tinha concedido na semana passada e nas quais disse considerar difícil a possibilidade de fraude nas eleições vencidas pelo presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, com grande diferença de votos - 62% contra 34% de seu principal adversário, o reformista Mir Hussein Moussavi.

"Nas eleições brasileiras, as suspeitas de fraude geralmente ocorrem quando a diferença de votos entre os candidatos é de 1% ou 2%, e não quando há uma diferença tão expressiva", afirmou.

"Existem coisas quase inexplicáveis no Irã. Há uma eleição na qual um cidadão obteve 62% dos votos. É muito difícil que alguém com 62% dos votos...", acrescentou o presidente, ao dar a entender que, em sua opinião, a possibilidade de fraude é pequena.

Lula recebeu críticas de setores da oposição no Brasil devido à rapidez com que, na semana passada, saiu em defesa da vitória eleitoral de Ahmadinejad e atribuiu as manifestações contra os resultados a "protestos de quem perdeu".



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