Lula diz que Cúpula do G20 levantará fórmulas contra crises

Rio de Janeiro, 10 nov (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que não haverá soluções definitivas na Cúpula de chefes de Estado do G20 - formado por países desenvolvidos e emergentes -, que acontecerá no próximo sábado em Washington, mas que ela permitirá a discussão de ferramentas para evitar outras crises.

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"Tenho a consciência de que a reunião não definirá tudo o que precisamos definir, mas é um início muito bom para que os chefes de Estado assumam pessoalmente a responsabilidade de discutir soluções futuras para evitar outras crises como esta", disse Lula em seu programa de rádio "Café com o Presidente".

De acordo com Lula, a Cúpula permitirá especificamente que os países mais desenvolvidos do mundo e os emergentes discutam formas de controlar o sistema financeiro, ao qual responsabilizou pela atual crise financeira mundial por atuar como um cassino.

"Sabemos de onde vem a crise. Sabemos o que gerou esta crise e sabemos que o sistema financeiro internacional precisa ter um controle do Estado. Tem de haver regulação. O sistema financeiro não pode ser um cassino", afirmou.

"Queremos que exista um sistema financeiro cada vez mais forte, mas para ajudar o desenvolvimento e o crescimento do país, ou seja, para ganhar dinheiro gerando riqueza e gerando emprego, não apenas acumulando riqueza através da especulação", acrescentou.

Lula disse esperar que os assuntos debatidos entre os ministros de Economia e os presidentes dos Bancos Centrais do G20, neste final de semana, em São Paulo, sobre formas de controle ao sistema financeiro sirva para orientar as decisões da reunião de presidentes do próximo dia 15, em Washington.

"Espero que o G20 tome essa decisão (controle do sistema financeiro), pois há muito tempo estou pedindo uma reunião dos líderes políticos para poder discutir como salvar a Rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC). Agora chegou a oportunidade de fazer uma reunião", disse.

"A crise pode afetar o desenvolvimento e o crescimento econômico dos países emergentes, que também têm de ser escutados na discussão, pois a saída precisa ser global. Além de ser uma crise mundial, a saída também tem de ser mundial", disse.

Na reunião de ministros, Lula, como atual presidente do G20, defendeu uma reforma do sistema financeiro internacional que dê aos países emergentes uma maior participação nos organismos multilaterais, além de conceder aos Governos mais controle sobre os mercados.

Segundo o Governo brasileiro, é necessário reformar o G7 (grupo dos países mais industrializados do mundo), o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial (BM), assim como fortalecer o G20.

O G20 é formado por países do G7, pela União Européia (UE) e por países emergentes como Rússia, Índia, China, Brasil, Argentina, México, África do Sul, Egito e Arábia Saudita.

"Temos de tomar uma decisão para enfrentar a crise. Não podemos temê-la. Sabemos que existe, que é grande e grave, mas também sabemos que estamos em melhores condições do que os países ricos porque ainda temos um potencial extraordinário de crescimento interno", argumentou Lula.

Segundo o governante, o que o Brasil e os outros países do Mercosul (Argentina, Paraguai e Uruguai) podem fazer particularmente para enfrentar a crise é fortalecer o bloco econômico e aumentar o comércio entre si.

Lula disse que aproveitará a visita oficial iniciada hoje à Itália para discutir com as autoridades italianas e até com o papa Bento XVI sobre a crise e a necessidade de os países ricos investirem nos pobres.

"Vou pedir aos países ricos que coloquem mais dinheiro para ajudar os pobres, como o Haiti e os países africanos. Temos de ser conscientes de que ou os países mais ricos ajudam os mais pobres a se desenvolverem ou teremos problemas muito graves de migração", concluiu. EFE cm/fh/jp

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