Lula diz que confia em políticas públicas contra a crise

Rio de Janeiro, 15 abr (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje que confia nas políticas públicas para fazer a América Latina sair fortalecida da crise, mas o setor empresarial respondeu dizendo que espera maior diálogo dos Governos com a iniciativa privada.

EFE |

O otimismo de Lula foi compartilhado pelo presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, mas os empresários do Fórum Econômico Mundial lhes reivindicaram maior participação nas decisões.

Lula afirmou que a solução para a crise deve conjugar os interesses "da sociedade e do mercado", guiados pelo braço do Estado, que deve atuar como "controlador" do sistema financeiro, para evitar "os excessos da economia virtual", que, segundo ele, esconde a origem dos atuais problemas econômicos.

O presidente brasileiro afirmou que a crise deve ser uma oportunidade para construir uma "nova ordem mundial, mais ética, com ênfase na divisão da riqueza e na proteção do emprego".

"Devemos trazer aqui os valores do Fundo Social Mundial", disse Lula na abertura da quarta edição latino-americana do Fórum Econômico Mundial, que vai até amanhã no Rio de Janeiro.

Lula, que foi um dos fundadores do Fórum Social Mundial, disse que gostaria de ver a reforma do Fundo Monetário Internacional (FMI) dar uma estrutura "mais democrática" ao organismo, abrindo espaço para que todos, "especialmente os pobres", tenham voz nas decisões econômicas.

Álvaro Uribe coincidiu em que "não se pode mandar a conta da crise para os pobres" e afirmou que a prioridade dos Governos da América Latina deve ser a de fazer "reformas estruturais" para gerar empregos, que sirvam para elevar a renda das classes de menor renda.

O presidente colombiano disse que é preciso estimular as "políticas permanentes", como os investimentos em infraestrutura, cujo desenvolvimento é uma "oportunidade" para países como a Colômbia, que admitiu estar "atrasada" nessa área.

Além disso, defendeu programas de subsídios às famílias pobres, "as mais afetadas pela crise", e estímulos ao setor privado, através de microcréditos ou com medidas para a estabilização e diversificação dos fluxos de investimentos estrangeiros.

Não por acaso, a repentina queda dos investimentos estrangeiro é um dos problemas que mais preocupam o Banco Mundial (BM) em relação à América Latina.

A vice-presidente do BM para a região, Pamela Cox, detalhou hoje que neste ano, esses investimentos na América Latina caíram de US$ 80 bilhões para US$ 37 bilhões -menos da metade.

Por este e por outros motivos, o BM reduziu suas projeções para a região, onde agora calcula que a economia cairá 0,6% neste ano, segundo dados atualizados até o final de março.

Pamela Cox explicou que a saída da crise dependerá em grande parte da recuperação dos Estados Unidos e seus pacotes de estímulo, sobretudo no que se refere aos países muito ligados à economia americana, como o México e as nações da América Central.

No entanto, a recuperação da primeira potência do planeta "ainda pode estar longe", conforme apontou hoje, em um seminário do Fórum, Mauricio Cárdenas, diretor do centro de estudos The Brookings Institution.

Ele argumentou que os países latino-americanos "devem diversificar suas economias" para se protegerem dos problemas dos Estados Unidos, e indicou o setor privado como o principal motor para esta mudança e para recuperar a vitalidade do sistema.

Na mesma linha, a secretária-executiva da Comissão Econômica das Nações Unidas para a América Latina (Cepal), Alicia Bárcena, considerou que os Governos "terão muito mais sucesso se consultarem o setor privado".

Este "mandou uma clara mensagem aos Governos, para que o levem em conta na hora de tomar de medidas e trabalhar na melhoria da produtividade", resumiu Pamela Cox. EFE mp/jp

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