Lula diz que Brasil nunca poderá pagar dívida com a África

Em Cabo Verde, presidente brasileiro afirma que País tem "dívida histórica" com o continente africano

EFE |

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, disse neste sábado que o País nunca poderá pagar a "dívida histórica" que tem com a África, na primeira cúpula com a Comunidade Econômica dos Estado de África Ocidental (Cedeao), realizada em Cabo Verde.

Lula iniciou neste sábado, em Cabo Verde, sua última viagem pela África antes de deixar a Presidência, na qual deve passar por Guiné Equatorial, Quênia, Tanzânia, Zâmbia e África do Sul, onde deve ir à final da Copa, torneio que o Brasil foi eliminado ontem pela Holanda.

AFP/AFP
Lula discursa na abertura de cúpula em Cabo Verde

Na cúpula Brasil-Cedeao que acontece neste sábado, na Ilha do Sal, Lula ressaltou que "é impossível devolver nossa dívida histórica com a África. Somos devedores em todos os sentidos, em nossa forma de ser, nossa cultura e nossa arte", já que o Brasil não seria o que é se não tivesse contado com o esforço de milhões de africanos.

O governante indicou que o Brasil não pretende só buscar na África novos mercados, mas construir uma relação que sirva para o benefício mútuo. Neste sentido, Lula destacou que pretendem criar condições para a transferência de tecnologia brasileira aos países da África, de modo que este continente "possa produzir o que nós produzimos agora".

Como primeiro passo, o Lula anunciou a criação de uma universidade, com disciplinas fundamentais, no Ceará, que receberá 5 mil estudantes de seu país e outros 5 mil africanos, para que estes possam acabar seus estudos na África e acelerar o desenvolvimento de seus países.

Também citou a criação de um centro africano-brasileiro de biocombustíveis, para a capacitação nesta matéria, além de um mecanismo financeiro conjunto para incentivar os investimentos e o comércio mútuos.

Lula, que visitou como presidente 25 países dos 53 da África, assegurou que a estreita relação com este continente continuará quando deixar o governo, dentro de seis meses, pois é uma "decisão política" do Brasil e " qualquer governante que venha depois de mim está a moral, política e eticamente comprometido ".

O chefe do Estado da Nigéria, Goodluck Jonathan, que exerce a Presidência rotativa dos 15 países da Cedeao, disse que esta reunião "marcará época" e agradeceu a Lula por ser "um verdadeiro e grande amigo da África".

Jonathan destacou a presença de inúmeros governantes da África Ocidental na reunião, como prova do interesse das relações com o Brasil e da América do Sul e apontou as energias renováveis e a construção de infraestruturas como os principais campos nos quais o continente pode aproveitar a cooperação brasileira.

O presidente da Comissão da Cedeao, James Victor Gbeho, indicou que a cúpula com o Brasil significa avançar no sonho de governantes de ambos os lados do Atlântico para conseguir a "unidade e solidariedade entre os povos da África, América do Sul e o Caribe".

Declaração conjunta

Em declaração conjunta ao término da cúpula Brasil-Cedeao, as partes assinalaram que a cooperação será centrada em conquistar a paz, erradicar a pobreza, garantir a segurança alimentar, defender o meio ambiente, desenvolver as energias renováveis e estabelecer um diálogo político.

Além disso, o Brasil buscará com os 15 países da África Ocidental aumentar a colaboração entre seus setores privados, desenvolver a construção de infraestruturas, estabelecer uma troca cultural e cooperar em matéria de segurança, a fim de "aumentar e reforçar a aliança estratégica para o lucro mútuo".

As duas partes pedem no documento a aceleração da reforma do sistema financeiro internacional, para fazê-lo mais "equitativo, justo e incluindo" e que permita aos países em desenvolvimento comparecer nos mecanismos de tomada de decisões das organizações multilaterais.

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