Lula diz que A.Latina e Caribe conquistaram personalidade como região

Playa del Carmen (México), 23 fev (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje que é um fato histórico a decisão dos países da América Latina e do Caribe de constituir uma Comunidade de Estados para conquistar sua personalidade como região.

EFE |

"Não é um fato histórico qualquer. Eu diria que é um fato histórico de grande dimensão, na medida em que estamos conquistando hoje nossa personalidade como região", disse Lula durante seu discurso na Cúpula do Grupo do Rio que acontece ontem e hoje em Playa del Carmen, Cancún, sul do México.

"Estamos criando nossa personalidade como região ao criarmos a Comunidade da América Latina e do Caribe", ressaltou Lula. O presidente se referiu ao mecanismo de convergência aprovado hoje que vincula o fórum do Grupo do Rio com a Cúpula da América Latina e do Caribe (CALC) sobre Integração e Desenvolvimento.

Lula destacou que o acordo firmado hoje pode parecer "pouco para as pessoas que têm muita pressa", mas não o é para as pessoas que analisam o "tempo histórico".

"A única saída que temos é trabalhar forte em nossa integração", disse Lula. Ele acrescentou que esta será a última cúpula do Grupo do Rio à qual comparecerá, pois seu mandato como presidente encerra no fim do ano.

Lula também pediu apoio ao Governo do Haiti, país devastado pelo terremoto de 12 de janeiro, e ressaltou a obrigação de solidariedade da região.

"É necessário fortalecer o Governo eleito democraticamente no Haiti. Todos estão governando o Haiti, exceto o presidente eleito democraticamente", disse.

Com relação a Honduras, Lula, um dos presidentes que mais apoiaram o ex-presidente deposto Manuel Zelaya, indicou que o Governo de Porfirio Lobo não está presente nessa cúpula "por uma razão muito simples: porque as eleições foram convocadas de forma equivocada e interrompeu o mandato de um homem eleito democraticamente".

Lula afirmou que "não se pode aceitar" que uma junta de militares possa interromper o processo democrático em um país. Além disso, ressaltou que a decisão da Organização dos Estados Americanos (OEA) de suspender esse país do bloco e do Grupo do Rio de condenar o golpe "foi o mais justo e democrático".

O presidente brasileiro pediu aos países da região confrontar os organismos multilaterais existentes que, em sua opinião, não funcionam adequadamente.

Ele defendeu as exigências da Argentina sobre as Ilhas Malvinas, ao se perguntar como se pode justificar que o Reino Unido tenha um arquipélago a 14 mil quilômetros de seu território.

Lula também pediu aos países da região que, em suas reuniões com representantes dos Estados Unidos, insistam na necessidade de pôr fim ao bloqueio comercial americano contra Cuba.

O presidente criticou os resultados da Cúpula de Copenhague sobre a mudança climática, onde, disse, "não houve organização" e houve falta de vontade política dos países desenvolvidos no momento de um acordo sobre o meio ambiente.

Além disso, Lula afirmou que é "inexorável" a discussão sobre a reforma das Nações Unidas e de uma estrutura política internacional conformada após as Segunda Guerra Mundial. EFE jlp/sa

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