Lula diz em Roma que não se pode esperar muito do G20

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta terça-feira que não se pode esperar muito da reunião de chefes de Estado do G20 (grupo das maiores economias do mundo), que será realizada no próximo sábado em Washington. Não esperem muito do G20.

BBC Brasil |

É apenas o começo, promissor, mas o começo", afirmou o presidente em um discurso para mais de mil sindicalistas durante o seminário "Nova Economia, Nova Democracia" em Roma.

Interrompido por aplausos em diversas ocasiões, Lula disse que o Estado foi visto como inútil durante 30 anos porque o mercado regulava a economia, os avanços sociais e a distribuição de renda.

"O Estado só atrapalhava", ironizou o presidente. "Imagine minha surpresa, o mercado em crise procurou primeiro o Estado que eles negaram o tempo inteiro."
"Trabalhamos muito para fazer a Rodada de Doha", acrescentou. "Não conseguimos e acho que, se Doha era uma oportunidade, com a gravidade da crise, a rodada passa a ser uma necessidade para um alento ao mundo mais pobre."
O presidente ressaltou ainda que os países não podem neste momento se voltar para dentro e suspender suas políticas de investimento nos mais pobres.

"Aí a crise pode virar o caos, exatamente no momento em que o capital especulativo andava sem passaporte pelo mundo inteiro e os pobres do mundo estão sendo perseguidos nos países ricos", afirmou.

Obama
Lula disse que a coisa mais importante que aconteceu depois da crise foi a eleição de Barack Obama como próximo presidente dos Estados Unidos.

"Não é pouca coisa os Estados Unidos elegerem um negro para presidente da República", afirmou. "Como não foi qualquer coisa o Brasil eleger um torneiro mecânico ou a Bolívia eleger um índio ou o Paraguai eleger um bispo da Igreja Católica para presidente."
Na avaliação do presidente, o significado da eleição de Obama é que uma das razões pelas quais ele foi eleito foi a própria crise.

"E eu acho que, inteligente como ele parece ser, se esta crise não for debelada logo, um ano depois vai ficar na responsabilidade dele", afirmou.

Sindicalista
O presidente relembrou seu passado sindicalista ao dizer que até hoje mantém uma "extraordinária relação" com o movimento sindical e que é tratado como "companheiro".

Lula disse que neste momento de crise é importante que o movimento sindical de cada país elabore suas propostas para ajudar a encontrar uma nova solução e um novo sistema financeiro.

"As instituições multilaterais estão falidas e já provaram que não representam mais os anseios do século 21", afirmou.

Lula está em viagem de quatro dias pela Itália e, na tarde desta terça-feira, assina acordos de cooperação com o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi.

O presidente já se reuniu com Berlusconi pela manhã, na Vila Madama, prédio do Ministério das Relações Exteriores da Itália.

O encontro também contou com a presença dos jogadores Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Dida, Emerson e Alexandre Pato, que atuam no Milan, e do ex-jogador Leonardo, que é dirigente do clube italiano ligado a Berlusconi.

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