Lula diz achar normar Chávez e Uribe tentarem terceiro mandato

Buenos Aires, 19 abr (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que a alternância no poder é extremamente importante, mas que não vê nada anormal no fato de o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, querer um terceiro mandato ou de (o colombiano Álvaro) Uribe querer tê-lo também.

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"Quando ouvimos pessoas criticando Chávez, teríamos que perguntar a elas como era a Venezuela antes de ele aparecer. Chávez melhorou muitíssimo a vida dos pobres, e exerce a democracia", destacou o chefe de Estado brasileiro.

Além disso, Lula lembrou que quando o presidente da Bolívia, Evo Morales, "começou a brigar com o Brasil, os setores mais conservadores queriam que revidasse, mas sempre o tratei como um companheiro" e a polêmica foi superada.

Em entrevista publicada hoje pelo jornal argentino "La Nación", o chefe de Estado brasileiro também afirma que, "do ponto de vista político", a relação entre Brasil e Argentina "jamais teve um momento tão excepcional", que "o Mercosul está se consolidando" e que a crise global "é um momento excelente para a tomada de decisões políticas".

"Obviamente que nesta crise tivemos algum problema em nossas relações comerciais, mas isso não é motivo de briga. É motivo para sentarmos à mesa e conversar, porque não posso imaginar o Brasil e a Argentina separados", declarou Lula.

Após dizer que "os países emergentes estão em melhores condições que os desenvolvidos" para superar as dificuldades atuais, o governante brasileiro esclareceu: "Nós não vamos conseguir sair (da crise) se eles não saírem também".

"Países como China, Índia, Brasil, África do Sul e Argentina têm mais chances de sair da crise, sempre e quando fizerem as coisas corretamente. Chegou a hora de fazer investimentos, criar empregos e gerar uma melhor distribuição de renda", acrescentou.

Lula, que na quinta-feira estará em Buenos Aires para uma reunião com a presidente argentina, Cristina Fernández, manifestou sua intenção de "construir consensos" com o principal parceiro comercial do Brasil no Mercosul, bloco também integrado por Paraguai, Uruguai e Venezuela (que conclui sua adesão plena).

"Quebramos muitas barreiras, muitos preconceitos contra o Brasil e contra a Argentina, tanto no campo da diplomacia como no político.

O Brasil não poder ver a Argentina como adversário, nem a Argentina pode ver o Brasil como tal. Temos que nos ver como aliados", afirmou.

O chefe de Estado disse ainda que "qualquer pessoa pode ter suas diferenças com (o ex-presidente da Argentina Néstor) Kirchner (2003-2007), mas a verdade é que, após muitos anos, a Argentina voltou a ser um país, a crescer, a gerar empregos e a ser mais respeitada".

"Kirchner foi o começo de uma nova era para a Argentina, que tem sua continuidade com Cristina" Fernández, mulher e sucessora daquele que hoje lidera o governista Partido Justicialista (peronista).

Em outro trecho da entrevista, Lula disse que o Mercosul "está se consolidando e muito". "Brasil e Argentina já podem fazer suas trocas comerciais em suas próprias moedas e queremos que isso ocorra em todo o Mercosul e também na América do Sul", afirmou. EFE hd/sc

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