Lula discutirá com Zapatero a crise financeira e possíveis saídas

Eduardo Davis. Brasília, 12 out (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, viajou hoje à Espanha, onde amanhã será recebido pelo presidente do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, e receberá o Prêmio Internacional Don Quixote de La Mancha.

EFE |

Lula o prêmio das mãos do rei Juan Carlos I da Espanha na cidade de Toledo, a 80 quilômetros de Madri.

O prêmio foi concedido pelo Governo da região de Castela-La Mancha e pela Fundação Santillana, devido ao trabalho do presidente brasileiro a favor da língua espanhola. Lula impulsionou há três anos uma lei que torna o espanhol uma disciplina obrigatória no ensino médio do Brasil.

Lula aproveitará a ocasião também para discutir diversos assuntos políticos e econômicos com Zapatero, com quem terá uma reunião particular em Toledo, após um almoço oferecido pelo chefe do Governo de Castela-La Mancha, José María Barreda.

Segundo o embaixador espanhol no Brasil, Ricardo Peidró, a reunião entre os dois líderes servirá para "colocar em dia assuntos relativos à sociedade estratégica" que os dois países consolidaram em 2005, e também para discutir a atual conjuntura internacional.

O porta-voz de Lula, Marcelo Baumbach, disse que a agenda incluirá assuntos bilaterais, a cooperação com outros países, a estagnação da Rodada de Doha, a possível negociação entre a União Européia (UE) e o Mercosul, e a aliança estratégica entre o bloco europeu e o Brasil.

Baumbach afirmou que o maior interesse de Lula se concentra na atual crise financeira, que, na opinião do presidente brasileiro, deve ser enfrentada com mais cooperação internacional e um ajuste dos mecanismos de controle dos mercados financeiros.

Segundo o porta-voz, Lula exporá a Zapatero sua idéia de que "a natureza global da crise requer um esforço coordenado (entre todos os países) e um maior controle sobre os mercados financeiros por parte dos organismos internacionais".

O Governo brasileiro vem ressaltando que o país está em condições de enfrentar a crise, mas, nas últimas duas semanas, teve que tomar uma série de medidas para garantir o crédito, em meio a turbulências que derrubaram a níveis mínimos a Bolsa de Valores de São Paulo e causou uma forte desvalorização do real.

O Executivo espanhol também anunciou medidas preventivas, como a criação de um fundo de 30 bilhões de euros (US$ 40,9 bilhões) para comprar ativos de bancos e aumentar o crédito às empresas.

Tanto Lula quanto Zapatero manifestaram sua convicção de que as decisões unilaterais não bastarão para combater uma crise dessas dimensões.

A Espanha é o segundo maior investidor no Brasil, atrás dos Estados Unidos, e tem no país latino-americano capitais acumulados no valor de US$ 35 bilhões.

Segundo Peidró, um das mensagens que Zapatero transmitirá a Lula é que esses investimentos não correm riscos, que chegaram "para ficar" e que, apesar da conjuntura, a aposta espanhola no Brasil é firme.

Após o encontro particular com Zapatero, Lula receberá o Prêmio Internacional Don Quixote de La Mancha, entregue pelo rei da Espanha, que depois oferecerá um jantar de gala em Toledo, que será a última atividade oficial do presidente brasileiro na Espanha.

Lula viajará na terça-feira de Madri para Nova Délhi, onde assistirá a uma cúpula do IAS, um fórum de consultas políticas integrado por Brasil, Índia e África do Sul.

Após esse encontro trilateral, o presidente brasileiro irá a Maputo, em sua terceira visita oficial a Moçambique desde que assumiu o poder, em janeiro de 2003. EFE ed/an

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