Londres, 2 abr (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou hoje que, pela primeira vez, os países desenvolvidos e as nações emergentes, reunidos na cúpula do G20, se sentaram em torno de uma mesma mesa em igualdade de condições.

Lula afirmou que, em todos os seus anos de mandato, esta foi a primeira vez em que participou de uma reunião na qual os países ricos e em desenvolvimento estiveram representados "em igualdade de condições", circunstância que atribuiu a uma crise global que requer uma resposta coordenada.

"É a primeira reunião na qual não fomos tratados como se não soubéssemos nada", disse o presidente, segundo quem isso aconteceu porque, na atual situação, "ninguém tem certeza do que tem que ser feito".

Em entrevista coletiva após a cúpula na capital britânica, Lula ressaltou que o consenso alcançado "é importante para o futuro da humanidade".

Segundo o chefe de Estado, na reunião de hoje, os líderes das principais economias industrializadas e emergentes concordaram em restaurar os fluxos de capital e em impulsionar uma regulação no sistema financeiro que fortaleça o setor produtivo e enfraqueça os especuladores.

Lula elogiou a decisão tomada sobre os paraísos fiscais e a publicação de uma lista dos países que não cumprem as normas de transparência da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).

O presidente disse que todo mundo compreendeu a importância do fim das negociações para a liberalização comercial (Rodada de Doha), que ajudará a acabar com o protecionismo dos países europeus, sobretudo no setor agrícola.

Na reunião desta quinta-feira, o G20 decidiu que a Organização Mundial do Comércio (OMC) e outros organismos multilaterais terão que denunciar os países que quebrarem as normas do livre-comércio, numa tentativa de acabar com o protecionismo.

Lula considerou este um primeiro passo positivo e se mostrou otimista quanto a novos avanços no futuro.

"O protecionismo é como uma droga", disse. "Há momentos de êxtase e, depois, uma depressão profunda".

Segundo o chefe de Estado, medidas desse tipo podem ser "boas para o comércio", mas "são um desastre para a economia mundial".

O governante também avaliou positivamente o aumento, para US$ 1 trilhão, dos fundos do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial (BM) "para socorrer os países mais necessitados".

Lula confirmou ainda que o Brasil "está em condições" de fazer uma contribuição econômica ao FMI, confiante em que, até 2011, a cota de representação do país será aumentada. Porém, se recusou a falar de um valor específico.

Depois, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que, "nos próximos dias", depois que o Governo brasileiro conversar com o diretor do FMI, será possível especificar a quantia da contribuição.

EFE jm/sc

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