Lula descarta que viagem ao Irã afete relação entre Brasil e EUA

San Salvador, 26 fev (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva descartou hoje que sua viagem ao Irã em maio afete a relação soberana entre Brasil e Estados Unidos e ressaltou que só tem que dar satisfações de suas viagens aos cidadãos brasileiros.

EFE |

"Vou ao Irã como a qualquer outro país do mundo, os Estados Unidos jamais me pediram que viajasse ou deixasse de viajar. Eu não tenho que prestar contas", declarou Lula em uma breve entrevista coletiva em San Salvador, em viagem pela América Central.

"A relação com os EUA é uma relação soberana, eles também visitam quem querem, os americanos, e eu também visito a quem quero. Não vejo o menor problema em visitar o Irã", acrescentou.

Lula chegou ontem a El Salvador na primeira visita oficial que recebe o presidente salvadorenho Mauricio Funes desde que assumiu o poder em junho passado. Ele se referiu assim à viagem prevista para 15 de maio ao Irã em passagem por vários países asiáticos.

"Não vou apenas ao Irã. Vou a Israel, vou à Palestina, vou à Jordânia e também ao Irã", destacou o presidente. Ele lembrou que o Brasil exporta ao Irã mais de US$ 1 bilhão por ano.

"Não vou ter que prestar contas a ninguém, a não ser ao povo brasileiro, que vai querer saber não só o que vou fazer no Irã, mas também vai querer ver os resultados daquilo que lá vamos semear", acrescentou.

Lula enfatizou que o Brasil "é o único país do mundo" que proíbe expressamente em sua Constituição a utilização de armas nucleares e disse que o Brasil está enriquecendo urânio para a indústria farmacêutica e para produzir energia.

Segundo o presidente, se o Irã for além disso (do uso pacífico de energia nuclear), violará um tratado assinado por todos. "Nisso não estou de acordo. Já disse e repeti 300 vezes e vou repetir de novo".

Lula se reunirá em Brasília na próxima quarta-feira com a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, que iniciará na segunda-feira uma viagem pela América Latina.

O secretário de Estado adjunto para a América Latina dos Estados Unidos, Arturo Valenzuela, disse hoje em Washington que "sem dúvida" Hillary falará com Lula sobre o programa nuclear iraniano e sobre as possíveis novas sanções impulsionadas pelos EUA contra o Irã por causa da questão nuclear.

Segundo Valenzuela, os Estados Unidos encorajarão o Brasil a exercer um papel "construtivo" em sua relação com o Irã para pressioná-lo a cumprir suas obrigações internacionais. Caso contrário, Washington ficaria "decepcionado", acrescentou. EFE lb/sa

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