Lula deixará a presidente sucessor um plano de metas para 2022

Rio de Janeiro, 5 mar (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixará a seu sucessor um Plano de Metas para 2022, que será apresentado em junho pela Secretaria de Assuntos Estratégicos.

EFE |

"São metas ambiciosas, mas acessíveis. Se Lula não tivesse definido metas ambiciosas para seu Governo, não teria feito nada", disse o ministro de Assuntos Estratégicos, Samuel Pinheiro Guimarães, em entrevista à imprensa estrangeira no Rio de Janeiro.

"São metas para reduzir as desigualdades e as vulnerabilidades do país, mas há condições reais para alcançá-las, como recursos financeiros e naturais, e um grande parque industrial", acrescentou o ministro.

Lula encomendou o Plano de Metas em seu último ano de Governo já que, após ter sido eleito para dois mandatos, não poderá disputar as eleições nas quais será eleito o chefe de Estado que o sucederá a partir de janeiro de 2011.

Guimarães reconhece que a iniciada do Plano dependerá do próximo Governo, mas alega que terá continuidade caso a vencedora das eleições seja a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.

"Se a pré-candidata do PT for escolhida, todos os programas terão seguimento. Se o vencedor for outro candidato, não sei o que vai acontecer", afirmou.

Segundo o ministro, a intenção de Lula é que seus sucessores tenham um norte para transformar o Brasil em uma potência mundial até 2022, ano em que será comemorado o bicentenário da independência nacional.

Ele acrescentou que o plano, com cerca de 150 metas, tem três grandes desafios: a redução das desigualdades históricas do país, a diminuição das vulnerabilidades e o aumento da democracia.

O Plano prevê uma drástica redução das desigualdades com metas como a erradicação do analfabetismo, a redução da mortalidade infantil e a universalização da escolaridade, da saúde pública e do saneamento básico.

"Hoje temos reservas de US$ 240 bilhões, frente a cerca de US$ 30 bilhões há seis ou sete anos e não somos mais devedores do Fundo Monetário Internacional (FMI). A dívida externa não é impagável", afirmou.

Guimarães, no entanto, admitiu que há áreas nas quais o Brasil ainda tem que trabalhar muito para reduzir as vulnerabilidades.

"É muito importante que possamos participar do Conselho de Segurança das Nações Unidas como membro permanente. Trata-se de uma posição estratégica", afirmou.

"Não temos Forças Armadas compatíveis com o tamanho e a importância de nosso território, população e economia. Um país não é soberano se não pode se defender", afirmou.

O ministro assegurou que o Brasil tem um investimento per capita em defesa muito inferior ao de outros países sul-americanos, como Chile e Colômbia. Ele defendeu um aumento do investimento nas Forças Armadas e na indústria militar.

Além disso, Guimarães esclareceu que o fato de o Brasil ter renunciado constitucionalmente à possibilidade de desenvolver armas nucleares não o transforma em um país vulnerável.

"Temos as sextas maiores reservas de urânio e dominamos toda a tecnologia para o enriquecimento de urânio. Estamos desenvolvendo um submarino de propulsão nuclear que é um importante elemento dissuasório", disse.

Em relação ao Conselho de Segurança da ONU, ele alegou que o Brasil deseja ser membro permanente do órgão, como um país que se considera importante, e não como representante da América do Sul ou da América Latina. "Não se trata de um assunto regional, mas político". EFE cm/sa

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