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Lula deixa Colômbia com pedido de liberdade

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a liberdade na comemoração oficial do Dia da Independência da Colômbia, convertido pelo governo colombiano em uma grande manifestação pela liberação dos reféns em poder das guerrilhas do país. Tem um poeta brasileiro que uma vez escreveu uma frase sobre a liberdade: liberdade, liberdade, abra as asas sobre nós.

BBC Brasil |

Liberdade, liberdade, abra as asas sobre nós. Liberdade para todos", disse Lula em cima de um palco, na cidade de Letícia, fronteira com o Brasil, pouco antes de deixar a Colômbia.

No breve discurso, Lula limitou-se a parafrasear o trecho do hino da proclamação da República de autoria de Medeiros e Albuquerque, que se tornou popular em 1989, quando a Escola de Samba carioca Imperatriz Leopondinense utilizou o verso em seu samba enredo.

As declarações com as quais Lula encerrou sua visita de dois dias à Colômbia não deixaram claro se ele se referia à liberdade dos reféns mantidos pelas guerrilhas, já que o presidente não foi explícito.

Pouco antes, ele sujou as mãos de tinta e pintou um painel em que se pedia a liberdade aos seqüestrados, acompanhado do presidente colombiano, Álvaro Uribe, e do peruano Alan Garcia, que também foi convidado para a cerimônia.

No sábado, sem citar diretamente a guerrilha, Lula defendeu a via institucional como caminho para tomar o poder.

Manifestações
Depois de Lula, Uribe, que comandou a cerimônia, passou o microfone para Garcia, que afirmou que a luta da Colômbia contra os grupos armados era um problema de toda a região.

"Nessa terra que é a fronteira entre o amor e o ódio primitivo, nós, os latino-americanos vemos que essa é uma luta que é nossa", afirmou.

Centenas de milhares de pessoas saíram às ruas em mais de mil cidades colombianas neste domingo para pedir a libertação dos reféns, a maioria deles sob poder das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).

Vestidos em sua maioria com a cor branca, os colombianos estampam nas camisetas frases como "Liberem a todos já" e "Paz para Colômbia".

A maior manifestação foi realizada na capital, Bogotá, e contou com show da cantora Shakira, que chamou aos guerrilheiros a abandonar a luta armada e adotar o programa de desmobilização do governo.

"Desmobilizem-se. Este governo oferece proteção e possibilidade para que se aproximem e sejam reinsertados a vida civil. Oxalá este dia seja um dia de reflexão, que sejamos uma só Colômbia e que possamos viver unidos", afirmou a cantora.

De acordo com cifras do governo, desde 2002, mais de 9 mil pessoas aderiram ao programa de desmobilização do governo, que garante casa e alimentação em troca do compromisso do abandono total da luta armada.

"Pedimos liberdade aos seqüestrados (...) liberdade a aqueles que estão submetidos a serviço da violência, liberdade aos despejados que não sabem para onde ir", disse Shakira.

A ex-refém das Farc e ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, libertada numa ação do Exército colombiano no início do mês, participou de um ato pela liberação dos seqüestrados em Paris. Betancourt fez um apelo ao líder das Farc, Alfonso Cano, para libertar todos os reféns.

Antes de regressar a Brasília, o presidente Lula firmou um acordo na área de Defesa com a Colômbia e o Peru que prevê o fortalecimento da segurança nos mais de 1,6 mil quilômetros de fronteira amazônica.

O objetivo do convênio é o de coibir a entrada de grupos armados colombianos (guerrilhas e paramilitares) e de redes de narcotráfico nos países vizinhos.

Lula já havia assinado dois acordos com Uribe na área de defesa, além de ter conseguido a adesão do presidente colombiano ao Conselho Sul-Americano de Defesa, proposto pelo Brasil.

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