Eduardo Davis. Brasília, 13 mar (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva viajou hoje a Washington, onde amanhã se reunirá com o novo presidente americano, Barack Obama, a quem defenderá os Governos de Cuba, Venezuela e, segundo ele, de toda a região.

Lula viajou com uma numerosa delegação integrada, entre outros, pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, e pela ministra-chefe da Casa Civil e possível candidata governamental à sua sucessão, Dilma Rousseff.

A liderança regional de Lula e a importância de seu primeiro encontro com Obama foram destacados pelo presidente uruguaio, Tabaré Vázquez; o chanceler da Bolívia, David Choquehuanca, e o ex-presidente chileno Eduardo Frei, entre outros políticos latino-americanos que estiveram em Brasília esta semana.

Amorim disse que, embora Lula "não tenha sido eleito porta-voz" da região, "levará sua visão sobre a América Latina em geral, sem o intuito de dar conselhos, mas de expor sua percepção".

O próprio Lula assumiu esse papel de líder regional declarado, pedindo que "os Estados Unidos tenham para a América Latina um olhar amistoso, pois se trata de uma região pacífica e democrática que deve ser observada pelo lado do desenvolvimento e da produção, e não pelo do tráfico de drogas e do crime organizado".

O ministro das Relações Exteriores admitiu que, embora o Governo cubano não tenha pedido a Lula que interceda por ele a Obama, este assunto estará em pauta amanhã, quando os chefes de Estado se reunirão na Casa Branca.

"É inevitável falar sobre Cuba, pois é muito simbólico para a América Latina", disse o chanceler, que classificou as relações dos Estados Unidos e do Governo cubano como "anômalas".

Ele acrescentou que "seguramente" Lula insistirá em que os Estados Unidos devem ter um "gesto", que não pode ser outro senão eliminar ou pelo menos aliviar o embargo que impôs a Cuba em 1962, o que o presidente brasileiro já disse em dezembro, quando recebeu em Brasília o dirigente cubano, Raúl Castro.

Em relação à Venezuela, o presidente brasileiro recebeu "sinal verde" de Hugo Chávez para pedir melhores relações.

A mensagem, segundo Amorim, será de que abram "o diálogo e a compreensão, com disposição para cooperar e entender", e que "evitem se ater a problemas do passado", em alusão às conflituosas relações dos Estados Unidos com a Venezuela durante o Governo de George W.

Bush.

O chefe da diplomacia brasileira disse confiar em que Obama "saberá compreender as mudanças que houve na região e sua própria diversidade política", a fim de estabelecer uma nova relação baseada na cooperação para o desenvolvimento.

Outros diplomatas também destacaram a simpatia que Lula sente por Obama, cuja eleição comparou com a sua e com as de outros dirigentes latino-americanos.

"Nunca havia se pensado que o Brasil seria governado por um operário, que a Bolívia teria um presidente índio (Evo Morales) ou que no Paraguai elegeriam um bispo (Fernando Lugo), e nunca havíamos pensado que os Estados Unidos teriam um presidente negro", disse.

Dentro deste ambiente favorável, Lula aproveitará para analisar com Obama a próxima reunião do Grupo dos Vinte (G20, que reúne os países mais ricos e principais emergentes), assim como a 5ª Cúpula das Américas, que será realizada em abril, em Trinidad e Tobago.

No primeiro caso, o presidente insistirá em dizer que a crise global impõe o estabelecimento de maior controle do mercado financeiro e "recuperação do papel" do Estado na economia.

Lula também vai reiterar sua afirmação de que a crise não pode ser combatida com medidas protecionistas.

"Precisamos deixar claro que o protecionismo pode ajudar momentaneamente, mas que, no médio prazo, será um desastre para a economia mundial. Quero deixar isso claro a todo o mundo. O Brasil está contra o retorno do protecionismo", afirmou hoje antes de viajar.

Nesse sentido, Lula voltará a pedir o fim das taxas aplicadas pelos EUA ao etanol brasileiro e manifestará sua preocupação pela cláusula "Buy American" (Compre - produtos - Americanos) do plano de estímulo econômico de Obama, que privilegia as compras estatais da indústria americana, sobretudo no setor metalúrgico.

No entanto, a Organização Mundial do Comércio (OMC) criticou, na quarta-feira medidas do Governo brasileiro que considerou protecionistas, como o aumento da taxa de proteção tarifária de 10,4% para 11,5%, entre 2004 e 2008, e os créditos estatais preferenciais à agricultura e ao setor industrial. EFE ed/jp/mh

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.