Lula defende versatilidade como característica importante de um governante

Madri, 9 mai (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se definiu em entrevista publicada hoje pelo jornal "El País" como um cidadão "multi-ideológico", que considera o poder "uma corrida de obstáculos" e que é capaz de se dar bem com chefes de Governo diferentes.

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Madri, 9 mai (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se definiu em entrevista publicada hoje pelo jornal "El País" como um cidadão "multi-ideológico", que considera o poder "uma corrida de obstáculos" e que é capaz de se dar bem com chefes de Governo diferentes. Lula explicou ao "El País" suas concepções sobre a política interna brasileira, as relações exteriores, a situação das Nações Unidas e temas polêmicos como o aborto, ao qual se disse "contrário", embora admita que se trate de uma questão de "saúde pública". Além disso, falou sobre seus planos para quando deixar a Presidência, no dia 1º de janeiro de 2011. "Vou sair do Governo com um monte de políticas bem-sucedidas e quero compartilhar esse aprendizado, essa autêntica lição de vida, com países mais pobres da América Latina e da África", disse o presidente. Entre os sucessos de seu Governo, inclui "a coragem de enfrentar a crise, em vez de ficar se queixando". Lula ressaltou que, quando chegou ao poder, "o Brasil não tinha crédito, não tinha capital de trabalho, nem financiamento, nem distribuição da renda", por isso decidiu "que era preciso primeiro construir o capitalismo para depois fazer o socialismo". Agora, no fim de seu mandato, "teremos criado mais de 14 milhões de postos de trabalho em oito anos. Apenas a China e a Índia podem competir com uma realidade assim". Lula também não se intimida ao fala sobre os efeitos futuros das políticas adotadas durante seu mandato: "Se a economia continuar crescendo entre 4,5% e 5,5%, em 2016 (o Brasil) pode ser a quinta economia mundial". No entanto, reconhece ter fracassado em seu intuito de buscar maior agilidade na reforma do Estado. "Desde o momento em que tomamos uma decisão até quando a executamos, topamos com 500 obstáculos em nome da democracia". Segundo ele, "o momento mais extraordinário do poder é o período entre o dia da vitória e a posse. Depois vemos que as coisas não são tão fáceis, você fica diante de uma corrida de obstáculos". Uma das coisas que diz ter aprendido é que "um chefe de Estado não é uma pessoa, é uma instituição e tem que fazer os acordos possíveis". Por isso, Lula disse que não pode "gostar de um presidente porque ele é de esquerda e de outro não, por ser direitista. Me dei bem com José Maria Aznar (ex-chefe de Governo espanhol) e me dou bem com José Luis Rodríguez Zapatero (atual presidente do Governo da Espanha)". "No exercício do poder sou um cidadão (...) multinacional, multi-ideológico", afirmou o presidente. Lula insiste em que seu país não tem a intenção de se tornar uma potência militar na região e assegura que suas Forças Armadas são "adequadas somente para garantir a segurança do povo". Sobre o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, o qualificou como "um homem muito inteligente, embora às vezes cometa equívocos". Já o boliviano Evo Morales, segundo Lula, é "um retrato de seu povo". O presidente se mostrou muito crítico à ONU e defendeu sua reforma, pois "como está, representa muito pouco". "Por que Brasil não é membro do Conselho de Segurança? Por que a Índia não é? Por que não há nenhum Estado africano? Se a ONU continuar fraca assim, sem representatividade, com países com direito de veto, nunca vai servir corretamente ao Governo global", disse. EFE jas/pd

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