Lula defende uso de energia nuclear pelo Irã com fins pacíficos

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu na sexta-feira o uso de energia nuclear com fins pacíficos pelo Irã, segundo informações veiculadas no site da Presidência na Internet. Estados Unidos, Israel e outros países acusam o Irã de tentar obter armas nucleares, o que os iranianos negam. Segundo Teerã, o país tem como objetivo o uso da tecnologia para a geração de energia.

Reuters |

"O que eu quero, na verdade, é que o Irã pense sobre armamento nuclear aquilo que pensa o Brasil e aquilo que faz o Brasil. Ou seja: você pode manusear energia nuclear, desde que seja para fins pacíficos", disse Lula a jornalistas na cidade italiana de L'Aquila, onde o presidente se reuniu com líderes de países desenvolvidos e em desenvolvimento.

O presidente disse que gostaria de viajar a Teerã e espera uma visita do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, a fim de aprofundar as relações bilaterais.

Lula elogiou a ideia italiana de aumentar o número de países que se reúnem periodicamente para debater os rumos da economia mundial, fazendo com que o G14 substitua o G8. No entanto, destacou que o G20 tem maior representatividade.

"Eu acho que quanto mais países participarem, mais a gente tem chance de evitar erros nas nossas decisões. Eu acho que o G20 é uma boa pedida para resolver o problema da crise econômica e acho que nós precisamos mantê-lo reforçado", argumentou.

Segundo ele, os líderes que se reuniram na Itália estão relativamente otimistas quanto à conjuntura econômica global.

"Acho que o pior já passou na maioria dos países", disse. "Os países emergentes estão em uma situação mais confortável."

Lula ressaltou que há divergências nas negociações de um acordo para combater o aquecimento global. Para ele, é preciso combinar mecanismos de sequestro de carbono com medidas de redução de emissão de gases que causam o efeito estufa.

"Se ficar apenas o pagamento pelo sequestro de carbono, o que vai acontecer? Os países ricos, como têm dinheiro, vão continuar emitindo gases de efeito estufa e vão pagar para os outros sequestrarem", afirmou, ponderando que existe vontade política para a construção de um entendimento.

Lula evitou falar sobre a crise do Senado, e sinalizou que a recondução do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, ao cargo pode demorar.

"Essas coisas, às vezes, levam dias, levam meses. Se fosse fácil, já tinham resolvido. Aliás, se fosse fácil não tinha nem acontecido. Essas coisas são complicadas mesmo", comentou.

(Reportagem de Fernando Exman)

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