Lula defende mecanismos para estimular a produção de alimentos no Brasil

Rio de Janeiro, 21 mai (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encomendou hoje a seus principais ministros e conselheiros várias medidas que estimulem a produção de alimentos no Brasil, que já ocupa a lista dos maiores celeiros do mundo e que este ano deverá registrar uma colheita recorde.

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Lula lançou seu pedido hoje durante uma reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, que reúne vários ministros, empresários, sindicalistas e acadêmicos que foram nomeados como conselheiros especiais da Presidência.

"O presidente alegou que, como o consumo aumentou e está pressionando a inflação, é necessário encontrar mecanismos para que mais alimentos sejam produzidos e estímulos para que se produza mais comida", afirmou o ministro das Relações Institucionais, José Múcio, ao fazer um balanço do encontro.

O Brasil, que já é um dos maiores produtores e exportadores de alimentos do mundo, elevou sua área cultivada este ano para 46,8 milhões de hectares e, segundo o Governo, ainda possui 350 milhões de hectares disponíveis para a agricultura sem a necessidade de desmatar a Amazônia.

Embora o Brasil seja praticamente auto-suficiente em todos os alimentos agrícolas, com exceção do trigo, Lula considera que o Brasil precisa estar preparado para um aumento da demanda e para combater a alta dos preços dos grãos em nível mundial.

O próprio Governo reconheceu este mês que a inflação brasileira vem sentindo o efeito do aumento dos preços dos alimentos, apesar de o país não enfrentar problemas de desabastecimento.

Com o reajuste dos preços internacionais dos grãos, os agricultores brasileiros preferem destinar seus produtos ao mercado externo, onde conseguem mais lucro, o que provoca uma alta do preço dos alimentos destinados ao mercado interno.

De acordo com a última previsão oficial, o Brasil registrará este ano uma colheita recorde de 142,6 milhões de toneladas de grãos, volume 7,2% superior ao de 2007.

A produção brasileira de cereais, leguminosas e oleaginosas deste ano superará em quase dez milhões de toneladas a de 2007 (133,1 milhões de toneladas), até agora a maior na história do país, e em 13,7% a de 2006.

A produção expandirá impulsionada principalmente por um aumento da produção de trigo e de milho, dois dos grãos que, junto com o arroz, vêm liderando a alta do preço dos alimentos no mundo todo pela maior demanda e pela queda de algumas colheitas.

Segundo Múcio, a elevação do consumo dos alimentos no país é um reflexo do aumento da renda e exige medidas preventivas para garantir que a colheita seja suficiente para atender tanto a demanda interna como a externa.

O ministro acrescentou que algumas das possíveis medidas serão discutidas na reunião que Lula terá nesta quarta-feira com seus ministros de Agricultura, Reinhold Stephanes; Casa Civil, Dilma Rousseff, e Fazenda, Guido Mantega.

Stephanes, por sua parte, assegurou que o Ministério da Agricultura já vem analisando algumas medidas para incentivar a produção e que um primeiro pacote de medidas poderá ser anunciado em junho.

O ministro antecipou que o Governo pode trabalhar em três frentes para incentivar um aumento na área que será plantada em setembro: garantir um preço mínimo para os produtores, aumentar os créditos para a produção e adotar um seguro rural.

Outras medidas serão estudadas para que os custos de produção possam ser reduzidos, especialmente os gastos com adubos no mercado interno que, em sua opinião, são os que mais vêm pressionando a inflação dos grãos no Brasil.

"Queremos adotar medidas para elevar a produção e garantir excedentes de exportação", afirmou.

Stephanes disse que as medidas beneficiarão principalmente três produtos considerados sensíveis pelo Brasil: trigo, que é exportado da Argentina; arroz, cuja produção praticamente não excede à demanda interna, e milho, um dos produtos com maior crescimento da demanda em nível mundial. EFE cm/fb

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